Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick
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A Rede de Conexões
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    Ao ler uma notícia no jornal, alguma vez você já pensou: "Isso não tem nada a ver comigo" ou "Ainda bem que não aconteceu comigo" ?  Já se sentiu sozinho na cidade grande ? Faz questão de não conhecer seus vizinhos ? Saiba que a sua simples existência pode influenciar a vida de centenas de pessoas – e elas a sua. Veja abaixo como isso acontece.

    Devido às descobertas mais recentes da física, biologia e outras áreas de conhecimento humano, criou-se o conceito de redes. Na visão de Fritjof Capra, todos os sistemas vivos, do nível micro ao macro, são formados por redes de sistemas menores, que se interpenetram e são dependentes entre si. Desta forma, através da combinação de células até o organismo completo (a grosso modo, as células formam os órgãos e tecidos, que juntos formam um organismo) , vários sistemas entraram em ação. Este organismo interage com o meio e dele depende, criando novas redes (a formação de famílias, cidades, estados, países) e assim por diante. Todos estes sistemas estão profundamente interligados e integrados no funcionamento do todo. 
    Estas teorias têm como princípio básico a visão sistêmica de vida, a noção de como as várias partes estão integradas ao todo, e de como este todo é maior do que a soma das suas partes, que atuam num processo contínuo e complexo de interconexões e interdependências, formando uma integração equilibrada, dinâmica e flexível, em permanente evolução e mudança.
    Estamos profundamente inseridos neste contexto e isso afeta nossa percepção da realidade, visto que tudo o que fazemos isoladamente afeta o todo e vice-versa. Somos ao mesmo tempo um “todo” dentro de um “todo” maior. 

    O QUE ISSO TEM A VER COMIGO ?

    Como a nossa noção de realidade ainda é restrita, não temos uma visão muito clara do nosso verdadeiro papel na vida. Como o operário que não pode ver o produto acabado no final da linha, não temos idéia de como a nossa contribuição pode ser importante. No entanto, uma ação na hora certa pode acertar rumos, alterar destinos, assim como uma idéia pode mudar o mundo. Um bom exemplo disso é o da menina britânica de dez anos de idade na época, Tilly Smith, que salvou cem outros turistas de serem arrastados pela tsunami na Ásia - ela alertou sobre a chegada da onda gigante porque havia estudado o fenômeno semanas antes na escola. 

    Temos na história grandes personalidades, grandes pensadores e grandes estudiosos que foram capazes de revolucionar nossos conceitos, mas há também os pequenos heróis, como Tilly, eu e você, que um dia fomos capazes de dizer uma palavra na hora certa, de dar um apoio, um conselho,  um abraço, um aviso e até, quem sabe, salvar vidas. E talvez nunca saibamos o resultado que estas ações tiveram ou terão no futuro. Alguns professores escutam de seus ex-alunos, anos mais tarde : “segui esta carreira graças a você”  ou “aquilo que você disse mudou minha vida”. 

    Por outro lado, uma contribuição errada pode gerar confusões, transtornos e até catástrofes. Imagine um controlador de vôo cometer um erro e causar um acidente aéreo em que morrem  aproximadamente 100 pessoas – isso alterará a vida das famílias destas cem pessoas, dos amigos, dos companheiros de negócios, dos clientes, e o número de pessoas influenciadas por este fato se multiplicará assustadoramente.

    VOCÊ ESTÁ NO LUGAR CERTO, NA HORA CERTA

    São raras as vezes em que podemos avaliar a real extensão das conseqüências, boas ou ruins, de nossos atos. Somos o centro e co-participantes desta rede, ou seja, ao mesmo tempo em que originamos eventos, somos influenciados por eles e por eventos criados por outras pessoas. 

    A consciência desta “cadeia de eventos” que podemos desencadear leva-nos à noção da profunda responsabilidade que precisamos ter para conosco, para com o outro - qualquer outro - ser vivente e para com o nosso meio. A sua existência pode alterar centenas de outras vidas. Na realidade do universo, você está no lugar certo, na hora certa. E pode fazer toda a diferença. 

    Esta percepção costuma ser desalienadora para a maioria das pessoas, uma vez que traduz a importância do papel de cada um no mundo e o modo como atua nele, promovendo a ligação com os outros e com o meio através do nosso poder pessoal e da qualidade da nossa contribuição; também tende a ser libertadora, uma vez que pressupõe que cada um “tome as rédeas” da sua própria vida e se responsabilize por suas escolhas e pela sua própria felicidade.

    Por isso, quando olhar novamente para si mesmo e para o seu vizinho, pense duas vezes...
     

        “Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. Por isso, não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. 
        John Donne
        (1572-1631)
     
    Por: Márcia Maranhão Limongi 
    Psicóloga atuante nas áreas:
    Clínica - Diretora do Instituto Parágono;
    Escolar - Consultora, ministra cursos para professores, 
    diretores e mantenedores em sindicatos, escolas e universidades;
    Industrial - consultora de Treinamento e Desenvolvimento para Chefias e Executivos;
    Consultoria em psicologia para editoras, com mais de 300 artigos publicados em várias revistas.

    Para eventuais contatos com a autora:
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