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Recebida de: Mago
Bardo
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Cientista
explica poderes surpreendentes de nossos animais de estimação.
Cachorros que sabem quando os donos estão a caminho de casa muito
antes destes chegarem. Gatos que correm para perto do telefone quando é
o dono que está ligando. Cavalos que conseguem encontrar a direção
de volta para casa atravessando às vezes longas distâncias.
São histórias assim, sobre percepções que têm
os animais, ainda não compreendidas à luz da ciência
atual, que o bioquímico Rupert Sheldrake reúne em CÃES
SABEM QUANDO SEUS DONOS ESTÃO CHEGANDO, livro tão fascinante
quanto bem fundamentado sobre poderes dos animais relativos à telepatia,
senso de direção, premonições e outras características
psíquicas.

Pesquisador respeitado da Universidade
de Cambridge, Inglaterra, autor de diversas obras científicas, Dr.
Sheldrake realizou uma longa pesquisa e diversas entrevistas sobre o comportamento
animal, apresentando inúmeros casos de percepção singular.
Localizou, por exemplo, animais domésticos que previram a ocorrência
de terremotos e mesmo um cachorro que tinha a capacidade de antecipar os
ataques epilépticos de sua dona. Ele explica tais fenômenos
através da teoria das "células mórficas", segundo
a qual há campos invisíveis de conexão entre os seres.
Em CÃES SABEM QUANDO SEUS DONOS
ESTÃO CHEGANDO, Dr. Sheldrake prova que há muito mais sobre
a mente dos animais do que nossa imaginação pode conceber.
Entre outros méritos, seu livro nos leva a questionar os limites
do pensamento científico convencional. Ao abrir novos horizontes
sobre a comunicação dos bichos uns com os outros e conosco,
o cientista britânico nos faz reavaliar esses estranhos – e encantadores
– poderes de nossos animais domésticos.
PENSADOR RADICAL E CIENTISTA
RUPERT SHELDR
(conduzida originalmente em inglês
e traduzida livremente por José Carlos Neves)
Biologia é uma Ciência,
ponto final. Mas, não muito diferente das outras, ela configura-se
também verdadeiro campo de batalha para as diferentes correntes
de pensamento. Especificamente poderíamos polarizar todas
essas “escolas” num par antagônico: a “mecanicista” – também
denominada 'neo-Darwiniana' – a qual considera os sistemas biológicos
máquinas complexas cujas diferentes partes funcionam sinergisticamente;
e a “vitalista”, que concebe esses sistemas como se “impregnados”
de alguma forma de “energia vital” a qual explicaria holisticamente os
organismos e o que se passa em seu interior – ou, pelo menos, suplementaria
as “deficiências” do modelo mecânico.
Um dos principais expoentes desta
última é justamente o Dr. Rupert Sheldrake, um dos chamados
“pensadores radicais”, cuja mundialmente aclamada “Teoria dos Campos Morfogenéticos”
praticamente deixou para trás os meios acadêmicos para se
imiscuir com força em todos os campos do conhecimento, seja ele
erudito ou da cultura “pop”.
Dr.
Rupert Sheldrake
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Em 1981, quando ainda não
tinha 40 anos, Rupert Sheldrake publicou seu primeiro livro, intitulado
A New Science of Life (Uma Nova Ciência da Vida ), apresentando ao
mundo científico o fundamento teórico para uma visão
nova e revolucionária da gênese morfológica, ou seja,
para o surgimento das formas no mundo orgânico e inorgânico.
De imediato, o livro suscitou violentas
discussões em publicações científicas e nos
grandes jornais. Subitamente, Sheldrake viu-se no centro de uma disputa,
a qual se alastrou para além dos meios científicos e acabou
por ser levada para os meios de comunicação de massa, inclusive
os Quadrinhos - sendo os mais notáveis "Animal Man" e o próprio
"Monstro do Pântano", de Alan Moore.
Por um lado, havia o "establishment"
científico, o qual queria queimar o livro de Sheldrake - ao menos
simbolicamente -, uma vez que não se podia ignorá-lo e, por
outro, aqueles que viam no autor um cientista a ser visto com seriedade,
inclusive até mesmo por ser um descobridor visionário.
Naquele tempo, Arthur Koestler classificou
as teorias de Sheldrake como "incrivelmente estimulantes e desafiadoras".
Para aprender um pouco mais com
este grande sábio contemporâneo – principalmente nós,
ávidos leitores brasileiros – “convoquei” o Dr. Sheldrake para “arranjar
uma brecha em sua apertada agenda” e nos responder o questionário
que se segue. E, provando que a fama e os píncaros que o seu conhecimento
já atingiu, não o impedem de compartilha-lo com os “meros
mortais”, ele prontamente nos atendeu.
Conosco, Dr. Rupert Sheldrake.
JCN: O que o atraiu à
Ciência? Quais suas lembranças primevas a respeito?
RS: Desde criança que eu
me interesso por animais e plantas. Tanto que mantinha diversos bichos
de estimação além dos costumeiros, como o cachorrinho
da família. Aos 5 eu já me fascinava com os pombos-correio
e sua indefectível capacidade de “sempre retornar à casa”.
Também criava plantas diversas, no que sempre era encorajado pelo
meu pai, um farmacêutico e herbalista. Ele mantinha um laboratório
com microscópio bem ao lado do meu quarto e me familiarizou com
muitos aspectos da vida escrutinada tão de perto, o que só
amplificou o meu interesse. Desde então eu sabia que seria um Biólogo
Porquê, especificamente,
as “ciências não tão ortodoxas”, se o sr. consegue
me entender? Quais foram suas influências?
Quando eu tinha 17, no interregno
entre o ginásio e a universidade (Cambridge), eu trabalhei temporariamente
como um técnico de laboratório para uma companhia farmacêutica
de Londres. Pretendia adquirir experiência científica e trabalhar
com animais. No entanto, acabou que, sendo ali um laboratório de
dissecação, eu, o novato da turma, fui submetido à
maior carga do “trabalho duro”: assassinar centenas de ratinhos, porquinhos-da-índia
e outras cobaias, preparar gatos para dissecação, etc. Tudo
aquilo suscitou sério conflito em mim pois eu estava interessado
em Biologia justamente porque gostava de animais. E comecei a constatar
que havia algo seriamente errado com a concepção científica
mecanicista, a qual com absurda freqüência envolve matar animais
para estudá-los, ao invés de justamente estudar o fenômeno
que é a vida per si.
Quando estava para me formar em
Cambridge, fui apresentado à poesia do alemão Goethe, a qual
me inspirou a buscar a ciência numa forma holística. Comecei
a perceber o quão limitado era a visão mecanicista. Após
minha graduação, estudei Filosofia em Harvard, ampliando
ainda mais a minha perspectiva. E concluí que as revoluções
científicas envolvem rompimentos paradigmáticos e a teoria
mecanicista não passava de um paradigma de um modelo da realidade
que poderia ser alterado, ao invés de ser mantido como um aspecto
necessário da própria ciência.
Quando retornei à Cambridge
para o meu Ph.D. em Biologia Desenvolvimental (BD), comprovei existir sim
diversos problemas que não podem ser solucionados por uma concepção
mecanicista. Comecei a me interessar pelos campos morfogenéticos,
campos que “moldam as formas”. É uma idéia já bastante
conhecida em B.D., inicialmente proposta nos anos 20. Ninguém sabe
o que são estes campos. Me tornei convicto de serem eles uma nova
espécie de campo para além dos conhecidos pela Física.
E ainda, de que eles detêm uma espécie de memória,
uma vez que se mostram capazes de desenvolvimento.
Isto me levou á hipótese
dos campos mórficos e ressonância mórfica, através
dos quais, influências pretéritas afetariam acontecimentos
presentes, na base da similaridade. Esta hipótese leva à
idéia de que cada espécie possui um tipo de memória
coletiva, alimentada e compartilhada por cada um dos seus componentes simultaneamente.
Poderia, por gentileza, resumir-nos
aos pontos básicos, essa sua aclamada teoria?
Esta hipótese faz diversas
previsões sobre a organização dos seres vivos e do
próprio universo. Em termos gerais, ela propõe que as chamadas
leis naturais não são de fato, leis inexoráveis estabelecidas
no momento do big-bang microcósmico por um código napoleônico.
Ao invés, elas são “hábitos” que se desenvolveram
junto com o próprio universo.
Esta não é, de fato,
uma teoria vitalista, uma vez que eles admitem influências
causais ocorrendo nos organismos vivos enquanto o resto da natureza funciona
mecanicisticamente. Minha hipótese atua não somente em organismos
vivos, mas também em moléculas e cristais. Penso que ambos
portam alguma espécie de memória. E isto gera conseqüências
verificáveis. Por exemplo: em Química, se um novo tipo
de cristal é formado, não existirá uma campo morfogenético
já pronto para ele. Mas quanto mais ele é cristalizado, mais
fácil o processo se encaminha, se desenvolve, através justamente
da ressonância mórfica de seus precedentes congêneres.
A substância se cristalizará
mais facilmente no mundo inteiro. Na verdade este é um fenômeno
bastante conhecido, em que pese os químicos usualmente alegarem
que ele ocorre devido a fragmentos microscópicos dos cristais serem
carreados de laboratório em laboratório nas barbas dos cientistas
migrantes! Ou que estes mesmos fragmentos são levados pelo ar na
forma de invisíveis partículas de poeira. Não concordo
obviamente.
A TCM realmente “explica”
holisticamente o organismo e o que se passa em seu interior?
Os campos mórficos explanam
como os organismos vivos estão integrados e como as suas diferentes
partes trabalham juntas. Naturalmente ela não nega a influência
de campos eletromagnéticos e da química, justamente por inclui-las
e aos conhecidos aspectos da Física em sua moldura mais abrangente.
Sob este foco, a herança
não é exclusivamente genética. Os genes permitem aos
organismos produzirem determinadas proteínas e alguns estão
mesmo envolvidos no controle da síntese protéica. Mas gerar
as proteínas certas não é suficiente para construir
vida, muito menos dotá-la de suas herdadas formas de comportamento,
seus instintos; o que se dá justamente em virtude dos campos mórficos,
que não são transmitidos geneticamente, mas sim por intermédio
da ressonância mórfica, uma influência direta do passado
no presente, através do tempo.
Campos mórficos não
só nos ajudam a compreender o desenvolvimento da forma e do comportamento,
mas igualmente a organização dos grupos sociais.
Uma revoada de pássaros
ou um cardume, possuem um campo mórfico que ligam seus membros entre
si. Mesmo quando um deles abandona o grupo, este campo não se rompe,
ao contrário, “se estica” atrás do desertor, mantendo a conexão
original como se através de um elástico invisível.
Penso até que esta conexão entre membros de um mesmo grupo
constitui a base da chamada telepatia.
Sob quais correntes de pensamento
a TCM nos ajudaria a compreender mais abrangentemente o fenômeno
da vida?
É engraçado, inclusive
que, quando eu era criança, tínhamos um cachorro negro de
estimação, chamado “Veludo” que era muito apegado ao meu
pai. Costumava ficar deitado ao portão esperando-o chegar diariamente
do trabalho. E o estranho era que, mesmo quando não estávamos
avistando o meu pai no final da rua longa e plana, Veludo já abanava
o rabo ao “sentir” de alguma forma a chegada do seu dono. E o mais incrível
ainda é que, mesmo quando meu pai viajava, o cão “sabia”
quando ele ia chegar, durasse a viagem o tempo que fosse.
Como o cão poderia
“saber” com antecedência sobre a chegada do seu dono – principalmente
não sendo “da mesma espécie”?
Acredito que a telepatia é
normal e natural entre os grupos sociais de seres viventes. Ela permite-lhes
manterem-se “conectados”mesmo à distância. O fenômeno
já foi exibido por diversos animais, principalmente domésticos,
como cães e gatos, quando eles desenvolvem um apego com as pessoas.
Eu desenvolvi muitas pesquisas sobre cães que conseguem captar os
pensamentos e intenções de seus donos telepaticamente – inclusive
de seu retorno ao lar. Alguns cachorros chegam a saber mais de 10 minutos
antes, ás vezes até meia hora antes, que seus donos estão
chegando em casa. Em centenas de experimentos controlados, filmados em
vídeo, meu colega Pam Smart e eu concluímos que os cachorros
realmente sabem com antecedência da chegada de seus donos, através
de telepatia. Claro que nestas experiências ninguém da casa
também sabia quando o dono estava chegando, e mesmo vindo
eles de mais de 10 km de distância, de táxi, num momento determinado
ao acaso, os cães “acertavam”. Replicadas independentemente por
outros pesquisadores, estes experimentos exibiram os mesmos resultados,
que foram largamente publicados em jornais científicos – os relatos
completos das minhas experiências podem ser lidos no meu site. E
toda minha pesquisa foi englobada em meu livro “Cães sabem quando
seus donos estão chegando*”, publicado também aí no
Brasil pela editora Objetiva.
O que o Sr, pensa da Teoria
do Caos? Vê alguma conexão com as teorias de campos?
A Teoria do Caos nos ajuda a reconhecer
que a natureza não é mecanicisticamente previsível
como a ciência tradicional acreditava.
Há uma grande parte da ciência
que é indeterminada e absurdamente difícil de se prever,
exceto justamente em nível de dinâmica caótica.
E é precisamente este indeterminismo
que dá margem a outros fatores causais na natureza.
Penso que os campos mórficos
funcionam através da padronização de eventos que,
de outra forma, seriam indeterminados.
Todos os detalhes dessa hipótese
eu exponho no meu livro “A PRESENÇA DO PASSADO”, igualmente publicado
em português pelo Instituto Piaget, de Lisboa, Portugal.
Sendo um pouco filosófico
novamente, qual é a sua concepção do tempo?Encara-o
com a 4ª dimensão do espaço, como preconizado por Einstein
ou alguma coisa diferente?
Não vejo o tempo como a
quarta dimensão espacial. Ele é a mensuração
do processo de mudança dentro do universo e a flecha do tempo definitivamente
foi “atirada” pela expansão do universo (big-bang) o qual
sublinha toda evolução cosmológica. Eu não
estou propondo que a ressonância mórfica ocorra fora do tempo
e sim através dele, do passado para o presente.
Existe uma polaridade no tempo,
entre o passado, presente e futuro e isto é fundamental para todos
os processos biológicos.
Como pensador contemporâneo
que é, o sr. acredita na “Interpretação de Múltiplos
Universos? O que o faz acreditar que a realidade é mais complicada
do que aparenta?
A Interpretação de
Múltiplos Universos da Mecânica Quântica é apenas
um dos diversos caminhos que tentam lidar com os paradoxos gerados por
esta teoria. Para mim ela é totalmente mirabolante. Supor
que o universo se bifurca a cada instante que um processo quântico
ocorre e que há um número quase infinito de universos paralelos
ao nosso próprio pode ser uma idéia profícua para
a Ficção Científica, mas muito anti-econômica
enquanto hipótese científica. Ela contradiz cada um dos princípios
de economia e evidência ao postular um infinito número de
universos paralelos sem nenhuma evidência no final das contas.
A Teoria Quântica preconiza
que eventos ocorrem probabilisticamente e sob meu ponto de vista os campos
mórficos atuam restringindo as possibilidades de forma que, de todos
os possíveis fatos que poderiam sobrevir, somente alguns efetivamente
sucedem. Minha hipótese de casualidade formativa através
dos campos mórficos está estreitamente relacionada com a
teoria quântica, fornecendo um entendimento muito mais plausível
e satisfatório do fenômeno do universo do que aquela dos universos
paralelos.
E é muito estranho que cientistas
prontos a aceitar esta teoria, mesmo sem nenhuma evidência, manifestem-se
rigorosamente contra fenômenos como a telepatia, para
o qual já existe considerável evidência. Eu mesmo penso
que é melhor trabalhar bem próximo dos fatos biológicos,
para estudar fenômenos que não entendemos e postular hipóteses
razoáveis para explicá-los, do que se aventurar em
direção a especulações muito mais metafísicas
do que científicas.
As novas possibilidades da ciência
são fantásticas e ainda existem muitos fenômenos que
não compreendemos, como os diversos aspectos do comportamento animal,
o instinto, fenômenos “psi” e até da própria mente
humana. Estamos nas bordas de um novo e regozijante período de desenvolvimento
científico.
É isto, Dr. Sheldrake!
É muito gratificante aprender com o sr. Muito obrigado.
Considering the communications obstacles
posed by language and cultural barriers something is inevitably lost in
the translation, but where editing for clarification was necessary,
care has been taken to capture the intended meaning.
(Levando-se em conta os naturais
obstáculos da língua a barreiras culturais, alguma coisa
sempre se perde nas traduções. Mas mesmo onde uma certa “edição”
se fez necessária, tudo fiz para manter o significado pretendido
pelo autor) - JCN
VISITE TAMBÉM O SITE OFICIAL
DO DR.SHELDRAKE:
www.sheldrake.org/
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