Magia e Sexo
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por: Pietra di Chiaro Luna .
Em Stregheria ou ramificações
de Bruxaria Tradicional e Hereditária falamos bastante e cultuamos
com muita freqüência os nossos ancestrais.
É lindo podermos olhar para
fotos antigas e sentir as mãos daqueles que já foram em nossos
ombros, olhando por nós e abençoando nossos passos. No entanto,
geralmente pensamos neles como Espíritos, Guias, Deuses, Lares ou
qualquer outra denominação que nos agrade - o imagético
fica sobre uma forma etérea. Este mês resolvi pensar neles
de uma forma mais humana, mais carnal e quente. Se não fosse a sexualidade
de nossos ancestrais, não estaríamos aqui. Então,
os convido a explorar os hábitos sexuais dos gregos e romanos e
suas implicações devocionais.
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Na Grécia, o sexo podia ser
ambíguo. Havia ritos de castração e sacrifício
de rapazes nos Mistérios da Samatrácia. Também poderia
ser visto como uma dádiva divina, exaltado em diferentes rituais
como os de Pã e Priapo. O fato é que a mitologia e os costumes
gregos estavam impregnados por envolvimentos sexuais. Zeus certamente foi
um dos deuses mais notáveis neste campo. Pai de diversos deuses
e semideuses, ele pode ser entendido como uma força masculina fertilizadora;
uma chuva que caia sobre a Terra a fim de fazer com crescesse e aflorasse.
Uma forma de mostrar a fertilidade
espiritual - pois era o grande Deus - e material, uma vez que seus filhos
eram parte da Criação física. Além disso, mostra
um forte aspecto da cultura grega: a conquista sobre outros povos. As mulheres,
humanas ou deusas, fertilizadas pelo deus são uma representação
das nações que os gregos dominaram. Outros deuses também
podem nos dar símbolos das visões do sexo. Vale pensarmos
em Dionísio, deus da embriaguez e do vinho. Suas festas e ritos
tomaram a Grécia e Roma, gerando festas alegres, orgiásticas
e de fertilidade. Vale também pensar que as Bacantes - sacerdotisas
do romano Baco, identificado a Dionísio - levavam o sexo a um ponto
animal: mais uma vez o sangue poderia correr juntamente com o gozo em ritos
mágickos e religiosos. Sem dúvida o tempo e a "civilidade"
dos ocidentais fizeram com que esses ritos chegassem a ser banidos pelos
romanos.
Roma trouxe uma perspectiva um tanto
mais triste para essa questão. Com o passar das gerações,
a adoração deixou de estar no sexo como instrumento sagrado:
ele se tornou um comércio tão complicado como o que existe
nas grandes cidades de hoje. Existiam no auge do Império, pelo menos,
11 diferentes classes de prostitutas. Das mais ricas e influentes, como
as "delicatae"; às filhas e esposas de homens influentes que se
deitavam com diversos parceiros por prazer, estas são as "famosae";
às "copae" que eram garçonetes de tabernas, que se deitavam
por uma pequena quantia de dinheiro com aquele que pagassem. Uma outra
infeliz constatação do Império era a adoção
de bebês para se tornarem escravas ou prostitutas quando maiores.
Um filme que pode retratar essa questão da decadência sexual
e moral de Roma é "Calígula".
Na Grécia também existiam
prostitutas. Elas estavam em três classes diferentes: "hetíaras"
que eram semelhantes às "delicatae"; as "diteríadas" que
eram escravas sexuais; "auletríadas" que eram artistas e agradavam
os gregos tanto com dança e música como com sexo. É
conveniente pensar que a prostituição não era necessariamente
uma fonte de problema na antiguidade, pois existiam sacerdotisas responsáveis
pelos cultos sexuais em diversas culturas. A questão se centra no
mal uso que tomou a civilização ocidental. Os romanos caíram
embriagados pelos seus excessos: terra, sangue e sexo. A divindade, o presente
dos Deuses foi esquecido. A experiência espiritual da união
carnal se diminuiu ao comércio, pedofilia e escravidão. Será
que não estamos rumando para o mesmo caminho?
Algumas tradições
mágickas, incluindo algumas streghe, têm na união sexual
um dos pontos da iniciação de seus neófitos. Ora feitos
com um cunho meramente representativo e de encenação, ou
pela união de corpos, o hierogamos é uma das manifestações
do poder criador da divindade, da combinação das essências
formadoras da Natureza.
O sexo é uma necessidade
biológica como a de comer e beber. A dádiva está presente
no prazer que temos em satisfazer todas essas necessidades. A potencialidade
dela está no poder de criação. Nowicki (1994) coloca
que a trindade que o sexo representa: fertilidade, amor e prazer foi o
que manteve o ciclo de sobrevivência humana.
Eu acredito que saber saborear essa
necessidade traz a dádiva dos Deuses. A criatividade e as mil experiências
sensórias que o sexo nos mostra são ferramentas maravilhosas
na prática mágicka. Apreciar o corpo e a essência do
outro pode ser tão delirantes quanto ritos xamânicos ou projeções
astrais. A responsabilidade reside em preparação mágicka,
compreensão do que se faz e uma motivação.
O sexo, o prazer, a magia e suas expressões podem ser uma bela iniciação; além de um doce momento devocional: com os Deuses e com o nosso parceiro. Benedizioni di Vênus, Afrodite
e Turan
Pietra di Chiaro
Luna
(dichiaroluna@yahoo.com) |
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