Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick
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Herói Até o Fim
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por: Edenilton Lampião
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Mesmo ao morrer o carma de John Lennon não lhe permitiu abandonar a Terra sem um derradeiro exemplo de grandeza: foi friamente assassinado justamente quando, aos 40 anos, se preparava para voltar (se é que algum dia esteve mesmo "retirado") e mostrar aos homens que só envelhece quem quer. É sempre possível um recomeço incrível. 

Sem ilusões. É preciso que o homicida seja inteligentemente interrogado. 

Um assassino desses é um ideólogo, está ligado - filosófica ou partidariamente falando - a grupos de ação extrema. Matar um ser humano como Lennon é algo como destruir a grandeza dos mares só porque o mar é grande, é bondoso, é livre. 

Ouço agora mesmo um locutor comentando que Lennon nos legou um grande exemplo: o amor à liberdade. Para garantí-la, enfrentou toda a artilharia das patrulhas fascistas e, ainda em nome da liberdade, não ousou impedir que os Beatles deixassem de existir como grupo. 

Um libertário em todos os sentidos. E os libertários, paralelamente às forças gigantescas que desencadeiam e fazem brotar, são ao mesmo tempo horrivelmente detestados. 

O verdadeiro libertário assusta a caretice toda. É um asco permanente, o libertário tem de estar sempre ciente de que os inimigos rondam à solta. 

E você, Lennon, ficou magoado? 

Não deve ficar, pois a força que ousou te destruir já está sendo esmagada pela poderosa e indestrutível reação em cadeia das forças positivas do bem. Não foi como a morte de Elvis Presley. A morte de Elvis foi um bode. Lennon, ao contrário, teve a morte dos grandes heróis da humanidade: morreu lutando, estava gravando, estava ótimo como pessoa, um cara super-confiante, tão confiante que ousava ser livre o suficiente para ficar cinco anos numa aparente ostracismo. 

Mas os deuses sabem que ostracismo é piada, em se tratando de súditos tipo Lennon. Certas cabeças não param. Os deuses só castigam a vagabundagem psíquica, e este não era o caso do mais positivamente atormentado dos Beatles. Certamente um dos maiores criadores da arte pós-industrial, Lennon nunca hesitou em fazer da sua arte um testemunho da sua vida. Para ele, o cotidiano, o dia-a-dia, sua vida familiar, tudo era uma arte só. Ao contrário de outros grandes artistas ou outros ídolos "populares", Lennon não tinha frescuras tipo "minha vida particular não interessa a ninguém". 
 

Não. Lennon sempre foi um extrovertido, um cara aberto, exposto. Passou sua segunda (e mais significativa) lua-de-mel numa espécie de cama pública.Até seu casamento com Yoko Ono teve este sentido libertário, John fez daquele matrimônio um exemplo, um posicionamento. 

O ocultismo sabe que ele era um grande Mago Branco, dos mais perigosos, pois sua matéria alquímica era a música, que das artes é a que vai mais fundo na alma.
 

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