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por: Giuliana
Bergamo
Estudo americano identifica as
áreas ativadas no cérebro de pessoas apaixonadas. E elas
estão longe do centro da razão.
Em vários momentos da história, o amor foi considerado uma ameaça à sobrevivência da espécie humana. Do fim do Renascimento ao século XVIII, era tido como doença uma infecção contraída pelos olhos, que se instalava no coração, escravizava o cérebro e poderia até levar à morte. “O amor, tendo abusado dos olhos
como verdadeiros espiões e porteiros da alma, deixa se deslizar
docemente por um par de canais e caminha insensivelmente pelas veias até
o ligado, imprime subitamente um desejo ardente da coisa que é realmente
ou parece amável. acende a concupiscência e por este desejo
começa toda a sedição (...) Vai diretamente ganhar
a cidadela do coração, o qual, estando uma vez assegurado
como o mais forte lugar. ataca depois tão vivamente a razão
e todas as potências nobres do cérebro que ela se sujeita
e se torna totalmente escrava”. Lê se num documento médico
da época.
Contra esse terrível mal, recomendavam se muita alface, banhos gelados e ungüentos para massagear os órgãos genitais. Em fins de abril de 2005, graças a máquinas capazes de flagrar o funcionamento cerebral, um grupo de pesquisadores americanos mostrou que o amor apaixonado ativa as áreas mais primitivas do cérebro, aquelas encontradas até em répteis. Ou seja. apaixonar se é mesmo um dos mais irracionais comportamentos humanos e contra isso não há alface, banho gelado nem ungüento que dêem jeito. O mapeamento dessas áreas foi obtido a partir do cruzamento das imagens cerebrais de dezessete jovens. em dois momentos. No primeiro, eles observavam a foto da pessoa amada; no segundo, as imagens de um conhecido qualquer. Publicado na revista científica
The Journal of Nearophysiology, da Sociedade Americana de Fisiologia,
o trabalho conclui que as sensações intensas relacionadas
ao amor se alojam no centro do cérebro, especificamente no núcleo
caudal e na área segmentar ventral (veja quadro baixo).
Tais regiões são responsáveis também pelo sistema de recompensa cerebral. Elas são ativadas tanto pelo prazer que se sente quando se mata a fome ou a sede, quanto pela satisfação experimentada por um dependente químico ao consumir drogas. O amor apaixonado faz o coração bater mais rápido, a pressão arterial subir, as pupilas dilatar. a temperatura variar bruscamente, o estômago apertar e as mãos tremer. Por uma questão de preservação da espécie, portanto, o ser humano não foi programado para viver constantemente apaixonado. "Se a paixão durasse muito tempo, o organismo entraria em colapso", diz o neurocienlista Renato Sabbatini, professor da Universidade Estadual de Campinas, em São Paulo. Estima se que a paixão seja
um estado com data de validade não superior a 36 meses. Depois disso...
Bem. ou você se casou com o objeto de sua extinta paixão,
ou partiu para outros, 36 meses de pura adrenalina. Claro, há quem
tente conciliar as duas coisas o que pode ser penigosíssimo.
Não para a preservação da espécie, evidentemente,
mas para a do dono (ou dona) de tão incontroláveis núcleo
caudal e área tegmentar ventral.
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