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por: G. I. Gurdjieff
Se
as pessoas pudessem viver em sua essência, um tipo de homem encontraria
sempre o tipo de mulher que lhe corresponde e nunca haveria falsa conjunção
de tipos. Mas as pessoas vivem em suas personalidades, que tem seus próprios
interesses, seus próprios gostos. E nada têm em comum com
os interesses e gostos da essência. A personalidade, em tal caso,
é o resultado do mau trabalho dos centros (mental, físico
e emocional). Por esta razão, pode não gostar do que a essência
gosta e gostar precisamente do que a essência não gosta (e
não necessita; coisas que destroem a essência). É aqui
que começa o conflito entre a essência e a personalidade.
A essência sabe o que quer, mas não pode explicar. A personalidade
não quer nem mesmo ouvi-la e não leva em conta os seus desejos.
Tem seus próprios desejos. E age a seu modo. Mas aí termina
o seu poder. Depois do que, de um modo ou de outro, as duas essências,
a do homem e a da mulher, devem viver juntas. E se odeiam. Nesse domínio,
não há comédia possível; de qualquer modo é
a essência, o tipo, que finalmente predomina e decide.
Ao mesmo tempo, o sexo desempenha
um papel enorme na manutenção da mecanicidade da vida. Tudo
o que as pessoas fazem está em ligação com o sexo:
a política, a religião, a arte, o teatro, a música,
tudo é "sexo". Crêem que as pessoas vão à igreja
para rezar ou ao teatro para ver alguma peça nova? Não, isto
são apenas pretextos. O principal, no teatro como na igreja, é
que lá podem encontrar mulheres ou homens. Eis o centro de gravidade
de todas as reuniões. O que leva as pessoas aos cafés, restaurantes,
festas de toda espécie? Uma só coisa: o Sexo. Essa é
a principal fonte de toda a mecanicidade. Todos os sonos, todas as hipnoses
dela decorrem.
Tentem entender o que quero dizer. A mecanicidade é particularmente perigosa quando as pessoas não a querem tomar pelo que ela é e tentam explica-la por outra coisa. Quando o sexo é claramente consciente de si mesmo, quando não se esconde por trás de pretextos, não se trata mais da mecanicidade de que falo. Ao contrário, o sexo que existe por si mesmo e não depende de mais nada, já é uma grande realização. Mas o mal existe nessa perpétua mentira a si mesmo!
G. I. Gurdjieff
do livro "Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido - Em Busca do Milagroso" - P. D. Ouspensky |
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