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por: Prof. José
Hermógenes
Nunca foi tão necessário dirigir a todo mundo um “convite à não violência”, levando em conta o potencial inimaginavelmente destrutivo já disponível nos arsenais das grandes potências, arsenais produzidos pela depravada tecnologia bélica e pela crônica morbidez psíquica individual e coletiva. Tomara que este convite, que há muito venho repetindo, atinja o alvo certo e com poder motivador bastante para pacificar pessoas e nações, mitigando a grande carência de paz, de concórdia, segurança, justiça, cooperação, comunhão harmônica, de falicidade autêntica e compartilhada. Se lhe parecer exagerada e dogmática uma tal afirmação, saiba que não está só. Eu estou com você. Sim, a sentença acima parece mesmo dogmática, rígida e, portanto, discutível. Vamos tentar, juntos, discuti-la, para ver se é mesmo bombástica e ousada ou apenas parece ser. Será que efetivamente
a ética salvará o homem e o mundo? Ora, diariamente você,
eu e qualquer um, ao tomar conhecimento das notícias da mídia,
já está indiscutivelmente constatando que a generalizada
imoralidade está precipitando uma tragédia descomunal devorando
o mundo e o homem. É admissível que alguns não concordem
que a ética poderá salvará o homem e o mundo, mas
haverá alguém que se negue a reconhecer que a falta dela
é o que está martirizando nossas vidas, arruinando a vida
dos indivíduos, da sociedade, da humanidade e do planeta? Será
que alguém seja tão cego a ponto de negar esta evidência?
Todo sofrimento que desaba sobre nós é gerado por homens e organizações que, em proveito próprio, estão perversamente transgredindo os princípios éticos fundamentais. A falta de ética é a causa única de todas as lágrimas que jorram abundantes no rosto e na alma das pessoas, da humanidade inteira. O homem sem ética está se destruindo e destruindo planeta. Já tentamos mostrar que uma Lei Eterna (Sanathana Dharma) rege todos os inúmeros e variados sistemas que formam o universo. A correta obediência a ela garante a cada sistema continuar sadiamente existindo. O desrespeito a tal Lei produz sofrimento, doença, decadência e extinção. Sistemas mecânicos e eletrônicos, com uma geladeira, um relógio, um computador,... funcionam bem e duram mais, desde que o homem, permanente trapalhão, não os atrapalhe. Eles mesmos não transgridem a Lei. É o homem intervindo, administrando, manobras que o faz. Tais sistemas não transgridem a “lei” particular que lhes foi programada e imposta pelo fabricante, no momento de os produzir. Os animais e as plantas, sistemas
biológicos, têm também que obedecer à “lei”
particular que rege a espécie de cada um. O instinto é o
que lhes assegura saúde e vida. Por si mesmos eles não transgridem
seu dharma, seu instinto, a lei apropriada à sua espécie.
É assim que se conservam sadios e vivos. Mas, os homens inconseqüentes,
sem a mínima consideração, interferindo sem ética,
perturbam a harmonia e o equilíbrio, o cumprimento da “lei”. É
isto que explica tantas enfermidades e anomalias neles mesmos, nos animais,
nas plantas, e em todos ecossistemas... O homem é o único
elemento bagunceiro em todo o Universo porque desfruta do arriscado e poderoso
privilégio de se rebelar e infringir, tornando-se assim o responsável
único por todo sofrimento individual e coletivo.
Tomara que o grande bagunceiro não tarde em se convencer de que, a cada instante, ele próprio e o único lar que tem para se abrigar – o planeta pioram, se degradam e resvalam para a ruína total, para a terrível hecatombe que ele teme, para a extinção da vida. O homem só se tornará ético quando começar a compreender a sabedoria e a essencialidade do dharma, da Lei Eterna, que mantém o equilíbrio, a harmonia, a beleza de tudo. Que o homem se convença, antes que seja tarde, de que tem de parar de destruir e simultaneamente começar a reconstruir. Sua tecnologia já alcançou dimensões gigantescas na capacidade de interferir e atrapalhar a natureza. Isto é imensamente preocupante. Eticamente o ser humano ainda é um primata e tecnicamente, um supergênio, frio e indiferente ao “bem” e ao “mal. É assim que vejo o mito do cientista louco. É inadiável que o homem compreender e praticar a ética que poderá preservar e até melhorar o Mega Sistema do Universo e o mini-universo que é ele mesmo, com seu organismos, suas energias, suas emoções, seus pensamentos, seu desempenho pessoal, profissional, social, espiritual,... Que você, eu e os demais consigamos nos tornar éticos e possamos deter nosso buliçoso desvario irresponsável e predominantemente destrutivo, para finalmente empenhar-nos na reconquista do Paraíso Perdido, no retorno à casa paterna, no acesso ao Reino dos Deus, na plenificação de nosso potencial divino, no resgate da beleza e do amor. Quando os desacertos do homem
são tais e tantos que já ameaçam tudo, torna-se oportuna
e mesmo inadiável a intervenção pessoal do Divino;
é a hora de “o Verbo se fazer carne e habitar entre nós”
para reabilitar o dharma, para a proteção das almas santas
e sábias que estão sofrendo e para a necessária retificação
dos transgressores. O nascimento de Deus entre os homens é o que
se denomina Avatar. Todos os Avataras vieram para resgatar a proposta da
“ética biológica”, a única que pode salvar o homem
e seu mundo.
O QUE PRECISAMOS ENTENDER POR ÉTICA Há uma considerável variedade de concepções propostas para a palavra ética. Mas, não é qualquer concepção de ética que tem o fantástico poder e a augusta incumbência de redimir o homem e o mundo. Qual é então aquela que devemos cultivar? A etimologia poderá esclarecer-nos. O termo “ética” (do grego ethikos), significa a ciência da moral. E “moral”? O termo vem de mores(latim) e significa costumes, isto é, comportamentos tidos por normais e portanto aceitos pela comunidade ou sociedade. Conforme se vê, as regras da moral, de fato, só podem ser relativas, pois um ato que se taxa de “mau” em nossa comunidade, deste lado da fronteira, na comunidade vizinha, do lado de lá, pode não ser e pode até ser aceito como sendo “bom”. Num grupo de terroristas, por exemplo, a maior virtude é a perversidade mais hedionda. Com razão, teóricos
ocidentais recusam aceitar tais conceitos de “moral” e de “ética”,
mas alguns filósofos ocidentais os consagra. Os primeiros denunciam
a falta de fundamentos perenes, definidos e incontestáveis.
Que é o “bem? Que é
o “”mal”? Quem é bom? Quem é mau? Que valor pode ter uma
ética cujos conceitos de “bem” e de “mal” são voláteis,
incertos, relativos, variáveis, contraditórios? Qual seria
o fundamento de uma ética incontestável, perene e universalmente
válida e bem definida?
Por agora aceitemos que há somente uma ética, incontestável, inquestionável e de validade absoluta. É a ética do Dharma, isto é, a Lei gravada nas escrituras e nas lições dos Avataras e dos grandes Mestres. É a ética que constitui a essência e o fundamento de todas as formas de religiosidade austera. Os santos e sábios a conhecem, seguem e ensinam com suas vidas exemplares. Amar, doar, perdoar, servir, purificar-se, abnegar-se..., são “virtudes” válidas em qualquer recanto, em todas as eras e, portanto, em todas as verdadeiras religiões. Por quê? Porque promovem e dão sustento à Vida. Mentir, odiar, trair, drogar-se, furtar, enganar, agredir, indiscutivelmente são pecados, não importa onde nem quando. Por quê? Porque são anti-Vida. Precisamos explicar? Não. Já o fizemos. Lembra? Os cristãos verdadeiros
conhecerão à Lei Eterna (o Sanathana Dharma) se estudarem,
com “olhos de ver e ouvidos de ouvir”, o Sermão da Montanha, mas,
acima de tudo, se o praticarem. Os budistas a conhecerão se entenderem
e praticarem a nobre lição que o Iluminado ensinou no Dhamapada.
Os hinduístas a viverão se compreenderem e cumprirem o que
Krishna explicou e propôs na “Bhagavad Gita”. Os judeus, se viverem
fiéis à Torah.Os muçulmanos pautarem suas vidas pelo
Alcorão.
O mesmo se pode dizer quanto aos adeptos do sufismo, jainismo, zoroastrismo, da fé Bahai, quanto aos devotos de Sathya Sai Baba. A ética que inspirou as vidas exemplares dos grandes santos de todas as eras e de todas as religiões foi o cumprimento do Dharma, ou seja a Ética da Vida. Em nosso tempo, Madre Thereza, Luter King, Mahatma Gandhi, Chico Xavier, Frei Fabiano de Cristo, Dr. Bezerra de Menezes, Albert Shweitzer, Irmã Dulce, Betinho, e tantos outros heróis do “praticar o bem”, fazendo parte da “Comunhão dos Santos”, são santos porque viveram para promover a Vida. A ética que salvará o mundo e o homem está no âmago de todos os homens e na profundidade abissal de todas as religiões. Agora, quando estou me despedindo,
que esteja eu falando com alguém desejoso de compreender ainda melhor
o que é violência e não-violência, mas principalmente
decidido a tornar-se mais um discípulo de Mahatma Gandhi e de todos
os grandes que praticaram amor, compaixão, perdão, e que,
por isto mesmo, fizeram tanto bem a esta humanidade.
José Hermógenes
José Hermógenes
de Andrade Filho, de 82 anos, é um bom exemplo de uma
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