| Em outubro de 1928 Albino
entrou no seminário gregoriano em Belluno e tornou-se sub-diácono
em 1934.
Foi ordenado para o sacerdócio,
na Igreja de São Pedro de Belluno em 7 de julho do ano seguinte,
assumindo dois dias depois a paróquia de Canale d 'Agordo.
Porém, não ficou muito
tempo ocupando esta posição, logo em 18 de dezembro foi chamado
para ser instrutor de religião no Instituto Técnico para
Mineiros. Falam os comentaristas que sua popularidade começou aí.
Dono de um sorriso ímpar,
ele falava as coisas mais sérias e contundente sempre com um sorriso
amoroso nos lábios. Característica que o acompanhou por toda
a vida e que fazia com que suas palavras inspirassem e animassem todas
as pessoas que dele se aproximavam.
Em 1937, foi convidado para ser
vice-reitor do Seminário gregoriano em Belluno, cargo que ocupou
até 1947.
Na data de 27 de fevereiro de 1947
graduou-se, pela Universidade gregoriana em Roma, como doutor em Teologia
Sagrada, defendendo a tese: "A origem da alma humana de acordo com o Antonio
Rosmini".
A partir dai sua vida tomou rumos
jamais pensados pelo pequeno menino das ruas de Veneza. Ele que se preocupava
com a alma simples do povo, que se preocupava com a salvação
de seus irmãos em humanidade se viu diante sérias responsabilidades,
de árduas tarefas... Nunca perdeu a pureza de sua alma, a convicção
de sua fé e a visão de seus ideais mais sagrados.
Nos anos seguintes trabalhou arduamente
a serviço de sua igreja: Foi nomeado secretário da Diocese
Synod, nomeado Pro Vicar-General da diocese de Belluno, nomeado Diretor
de Catechetics Office da Diocese, Publicou o livro “Catechetica in briciole”
e a sua tese doutoral.
No dia 6 de fevereiro de1954
foi indicado como Vigário General da Diocese de Belluno.
Tornou-se Bispo de Vittorio Veneto,
em 15 de dezembro de 1958, pelas mãos do saudoso Papa João
XXIII.
De 1959 a 1965 assumiu uma puramente
função pastoral, procurando manter-se afastado da política
intestina do Vaticano.
Porém, no dia 15 de dezembro
de 1969, o Papa Paulo VI, o chamou para assumir o posto de Patriarca de
Veneza.
Entre 12-17 de junho 1972, foi eleito
Vice-presidente da Conferência de Bispos italianos, posição
que ocupou até 2 de junho de 1975.
No dia 5 de março de 1973
tornou-se Cardeal da Igreja católica romana.
De 27 de setembro a 26 de outubro
do mesmo ano participou da III Assembléia Geral Ordinária
em Roma do Sínodo de Bispos relativo a "Evangelização
no Mundo Moderno".
Em 1975, em missão pastoral,
foi até a Alemanha numa Visita Pastoral e ao Brasil, onde ele recebeu
o título "honoris causa" da Universidade de S. Maria do Rio Grande
do Sul.
Entre os anos de 1976 e 1977 fez
inúmeras viagens a pedido do Papa Paulo VI e publicou o livro “Illustrissimi”
Apoiou abertamente os democratas
cristãos contra os comunistas, porém nunca deixou que nos
debates públicos suas características de temperamento - a
serenidade e a humildade, fossem alteradas. Sempre procurou resolver todo
e qualquer problema através do diálogo, revelando-se uma
pessoa conciliadora.
Sua atividade eclesiástica
distinguiu-o como “Pastor de Almas”, nunca teve cargo na Cúria Vaticana
e jamais desempenhou serviços diplomáticos, não foi
Núncio Apostólico e nem trabalhou em Roma. Sua atividade
sempre foi pastoral na verdadeira acepção da palavra.
Mas as coisas começaram a
se precipitar em agosto de 1978, quando morreu o Papa Paulo VI.
Com pesar recebeu a notícia
do falecimento. Como de hábito, sem atropelos, foi para Roma no
dia 10 de agosto e no dia 26, para sua surpresa, durante o segundo dia
do conclave que buascava eleger o novo papa, foi eleito pontífice
Supremo Eleito da Igreja Católica Romana, escolhendo para si o nome
João Paulo I.
Foi o primeiro Papa da história
a escolher um nome duplo.
Ficou conhecido como o Papa Sorriso.
Logo de saída, escandalizou
seus pares quando recusou a cerimônia de coroação.
Quis que fosse tudo reduzido a uma missa ao ar livre em plena praça.
Não aceitou em sua cabeça de camponês o contacto da
tríplice tiara “Símbolo dos três poderes sobre tudo
e sobre todos, tiara que lhe dava o título de “pai dos príncipes
e dos reis”. Dispensou o trono baldaquino e a cadeira-gestatória.
Em síntese, Albino Luciano aceitou apenas o poder espiritual.
Luciani, que se descrevera com franqueza
durante os seus dias em Veneza, “Sou apenas um homem pobre, acostumado
às coisas pequenas e ao silêncio”, descobria-se agora obrigado
a se confrontar com a, grandeza do Vaticano e as intrigas da Cúria.
O filho de um pedreiro era agora o Chefe Supremo de uma religião
cujo fundador fora o filho de um carpinteiro.
'Muitos dos especialistas em Vaticano,
que nem sequer levaram em consideração a possibilidade da
eleição de Luciani, aclamaram-no como “O Papa Desconhecido”.
Ele era bastante conhecido por 99 cardeais para que lhe confiassem o futuro
da Igreja, a um homem sem qualquer treinamento diplomático ou experiência
curial. O número considerável de cardeais da Cúria
fora rejeitado. Em suma, toda a Cúria fora rejeitada, em favor de
um homem quieto e humilde, que prontamente anunciou que preferia ser chamado
de Pastor ao invés de Pontífice. As aspirações
de Luciani logo se tomaram claras: uma revolução total. Estava
determinado a levar a Igreja de volta a suas origens, de volta à
simplicidade, honestidade, ideais e aspirações de Jesus Cristo.
Outros antes dele tiveram o mesmo sonho, apenas para que a realidade do
mundo, conforme impingida por seus conselheiros, acabasse prevalecendo.
Como poderia aquele homem pequeno e modesto realizar sequer os primórdios
da transformação material e espiritual que seria necessária?'
(palavras de David Yallop)
Durante seu breve pontificado, o
Papa João Paulo I descobriu a existência de corrupção
em enorme escala dentro do Banco Vaticano (coisa que pouco tempo depois
de sua morte veio a público), e começou a fazer uma série
de mudanças, tanto na estrutura de poder do Vaticano quanto na política
da Igreja. Algumas destas mudanças eram tão profundas e de
tão extrema importância que o termo apropriado para elas seria
‘revolucionárias’. Segundo diz George Andrews "ele iria inaugurar
sua reforma da Igreja pela revelação ao mundo da verdade
sobre a mensagem de Fátima" (seria a prova da existência de
extra-terrestres entre nós?).
Porém, não teve tempo,
seu pontificado foi curto, no dia 28 de setembro ele morreu (nos informam
que de um ataque cardíaco) durante o sono. O interessante é
que os medicamentos que estavam à sua cabeceira desapareceram, a
Freira que o acompanhava foi obrigada ao voto de silêncio e ele foi
embalsamado às pressas apenas 12 horas após a sua morte.
Tudo muito estranho... muito estranho...
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