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Na Vida Nova Dante fala de seu amor
platônico por Beatriz (provavelmente Beatrice Portinari), que encontrara
pela primeira vez quando ambos tinham 9 anos e que só voltaria a
ver 9 anos mais tarde, em 1283. Nos tempos de Dante, o casamento era motivado
principalmente por alianças políticas entre famílias.
Desde os 12 anos, Dante já sabia que deveria se casar com uma moça
da família Donati. A própria Beatriz, casou-se em 1287 com
o banqueiro Simone dei Bardi e isto, aparentemente, não mudou a
forma como Dante encarava o seu amor por ela. Provavelmente em 1285, Dante
casou-se com Gemma Donati com quem teve pelo menos três filhos. Uma
filha de Dante tornou-se freira e assumiu o nome de Beatrice.
Esse acontecimento teria provocado uma mudança radical na sua vida o levando a iniciar estudos intensivos das obras filosóficas de Aristóteles e a dedicar-se à arte poética.
Dante foi fortemente influenciado pelos trabalhos de retórica e filosofia de Brunetto Latini - um famoso poeta que escrevia em italiano (e não em latim, como era comum entre os nobres), tendo também se beneficiado da amizade com o poeta Guido Cavalcanti - ambos mencionados na sua obra.
Pouco se sabe sobre sua educação. Segundo alguns biógrafos, é possível que tenha estudado na universidade de Bologna, onde provavelmente esteve em 1285.
A Itália no tempo de Dante estava dividida entre o poder do papa e o poder do Sagrado Império Romano. O norte era predominantemente alinhado com o imperador (que podia ser alemão ou italiano) e o centro, com o papa.
A Itália, porém, não
era um império coeso. Não havia um único centro de
poder. Havia vários, espalhados pelas cidades, que funcionavam como
estados autônomos e seguiam leis e costumes próprios. Nas
cidades era comum haver disputas de poder entre grupos opositores, o que
freqüentemente levava a sangrentas guerras civis. Florença
era, na época, uma das mais importantes cidades da Europa, igual
em tamanho e importância a Paris, com uma população
de mais de 100 mil habitantes e interesses financeiros e comerciais que
incluíam todo o continente.
Dante nasceu em uma Florença governada pelos guibelinos, que haviam tomado a cidade dos guelfos na sangrenta batalha conhecida como Montaperti (monte da morte), em 1260. Em 1289, Dante lutou com o exército guelfo de Florença na batalha de Campaldino, onde os florentinos venceram os exércitos guibelinos de Pisa e Arezzo, e recuperaram o poder sobre a cidade.
Na época de Dante, o governo
da cidade era exercido por representantes eleitos de corporações
de operários, artesãos, profissionais, etc. chamadas de guildas.
Dante se inscreveu na guilda dos médicos e farmacêuticos e
disputou as eleições em Florença, tendo sido eleito
em 1300 como um dos seis priores (presidentes) do Conselho da Cidade.
Depois de criados, os partidos assumiram posições políticas. Os guelfos brancos, moderados, respeitavam o papado mas se opunham à sua interferência na política da cidade. Já os guelfos negros, mais radicais, defendiam o apoio do papa contra as ambições do imperador, que era apoiado pelos guibelinos.
Os priores de Florença (entre eles Dante) viviam em constante atrito com a igreja de Roma que, sob o governo do papa Bonifácio VIII, pretendia colocar toda a Itália sob a ditadura da igreja. Em um dos encontros com o papa, onde os priores foram reclamar da interferência da igreja sobre o governo de Florença, Bonifácio respondeu ameaçando excomungá-los. A briga entre os Neri e Bianchi tornou-se cada vez mais intensa durante o mandato de Dante até que ele teve que ordenar o exílio dos líderes de ambos os lados para preservar a paz na cidade. Dante foi extremamente imparcial, incluindo, entre os exilados, um dos seus melhores amigos (Guido Cavalcanti) e um parente de sua esposa (da família Donati).
No meio da confusão entre os guelfos de Florença, o papa decidiu enviar Carlos de Valois (irmão do rei Felipe da França) como pacificador para acabar com a briga entre as facções. A suposta ajuda, porém, revelou ser um golpe dos Neri para tomar o poder. Eles ocuparam o governo de Florença e condenaram vários Bianchi ao exílio e à morte. Dante foi culpado de várias acusações, entre elas corrupção, improbidade administrativa e oposição ao papa. Foi banido da cidade por dois anos e condenado a pagar uma alta multa. Caso não pagasse, seria condenado à morte se algum dia retornasse a Florença.
No exílio, Dante se aproximou
mais da causa dos guibelinos (o império), à medida em que
a tirania do papa aumentava. Ele passou o seu exílio em Forlì,
Verona, Arezzo, Veneza, Lucca, Pádua (e também provavelmente
em Paris e Bologna).
Na obra La Vita Nuova, seu primeiro
trabalho literário de importância, iniciado pouco depois da
morte de Beatriz, Dante narra a história do seu amor por Beatriz
na forma de sonetos e canções complementadas por comentários
em prosa. Durante o seu exílio Dante escreveu duas obras importantes
em latim: De Vulgari Eloquentia, onde defende a língua italiana,
e Convivio, incompleto, onde pretendia resumir todo o conhecimento da época
em 15 livros. Apenas os quatro primeiros foram concluídos. Escreveu
também um tratado: De Monarchia, onde defendia a total separação
entre a Igreja e o Estado. A Commedia consumiu 14 anos e durou até
a sua morte, em 1321, ocorrida pouco após a conclusão do
Paraíso. Cinco anos antes de sua morte, foi convidado pelo governo
de Florença a retornar à cidade. Mas os termos impostos eram
humilhantes, semelhantes àqueles reservados à criminosos
perdoados e Dante rejeitou o convite, respondendo que só retornaria
se recebesse a honra e dignidade que merecia. Continuou em Ravenna, onde
morreu e foi sepultado com honras.
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