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| Filho de uma família nobre
mas pobre seguiu os desejos do pai estudando leis no Collègede Pontlevoy,
mas embora fisicamente frágil e predisposto a especulações
mentais.
Ainda muito jovem, ficou órfão de mãe e, devido aos conflitos com seu pai, não teve uma infância muito feliz, crescendo em sua alma a ardente aspiração a uma vida superior. A falta de amor no ambiente familiar o induziu a buscar o amor de Deus. Porém, logo seguiu a carreira de soldado, ingressando no exército onde alcançou a graduação de oficial. Anteriormente havia incursionado na maçonaria e no estudo da filosofia. Quando seu regimento se encontrava em Bordéus, conheceu o novo sistema de ritos maçônicos criado por Mártires de Pasqually que ensinava um misticismo de caráter hermético/ cabalístico, chegando a ser seu principal discípulo e propagandista. A idéia da Reintegração da Humanidade, proposta por Pasqually, atraiu fortemente Saint-Martin. Sua vida tomou um novo rumo quando ele teve contato com o "Agente Incógnito", um Ser pertencente aos planos superiores e que havia deixado seu selo na Loja de Lyon, cujos ensinamentos causaram em Saint-Martin profunda impressão. Na escola de Martinès em Lyon, o caminho que conduzia ao Iluminismo levava à prática da "magia cerimonial". Foi assim iniciado em 1768 na ordem mística Elus-Cohens criada por seu mestre, nela alcançou o grau de rosa-cruz e templário. Tendo ampliado seus conhecimentos
com leituras intensivas de Swedenborg em 1771, abandonou o exército
convertendo-se em um orador místico. Sua habilidade oratória
o fez logo favorito dos salões parisienses conseguindo despertar
um amplo interesse pelo misticismo, a filosofia e o hermetismo.
Entre 1782 e 1787 visitou a Itália e a Suíça e possivelmente a Rússia. Em 1787 viajou para Londres onde conheceu o astrônomo Herschel e o místico suíço William Law, grande intérprete de Boehme. Em 1788 travou amizade em Estrasburgo com Charlotte de Boecklin que o iniciou nas obras de Boehme. Escreveu diversos livros, sob o pseudônimo de "Filósofo Desconhecido". Influenciou diversos nobres franceses e europeus, criando uma sociedade iniciática, conhecida como Sociedade dos Filósofos Desconhecidos. No início de 1800, sua doutrina já alcançava diversos países europeus, como Alemanha, Rússia e na própria França. Seus últimos anos passados
em Aunay foram dedicados a escrever suas obras e à tradução
das de Boehme. Embora não tivesse sido sujeito a perseguições
em conseqüência de suas opiniões (salvo uma prisão
durante a Revolução Francesa), sua propriedade foi confiscada
devido a sua posição social.
Publicamente um católico estrito mas seu primeiro livro foi colocado no Index. Saint-Martin que rodeado pelos horrores da Revolução Francesa soube difundir na França o alto espírito do misticismo, desenvolveu as teorias de Martines de Pasqually, juntando-lhes um rasgo de gênio que havia faltado a seu mestre. Unificou seus ensinamentos com os de Boehme e Swedenborg e plasmou uma doutrina filosófica própria, o martinismo, que alcançou notável desenvolvimento e grande numero de adeptos. Saint Martin escreveu as seguintes
obras:
"Ecce Homo"
"Tábua Natural das Relações
que existem entre Deus, o Homem e a Natureza"
"O Homem de Desejo" Nessa obra vemos a influência
da doutrina de Boehme. Essa obra lembra um dos salmos que exprime o ardor
da alma para com Deus e deplora a alma do homem, seus erros e pecados,
sua cegueira e sua ingratidão.
Nessa obra, Saint-Martin viu
a possibilidade de um retorno do homem a seu estado primitivo. Mas esse
retorno só seria possível com o abandono da vida do pecado
e seguindo os ensinamentos do Redentor Jesus Cristo, o Filho de Deus, que
desceu das alturas de Seu trono celestial por amor a toda humanidade;
"O Novo Homem"
A alma do homem é um pensamento de Deus. "Do Espírito das Coisas"
"O Ministério do Homem
Espírito"
"Dos Números"
Ele analisou os números de um ponto de vista metafísico e místico. Nos números encontrou uma confirmação da queda e do renascimento do homem; "O Crocodilo"
Mas o mal dispõe de um tempo limitado e pode ser facilmente reconhecido por sinais discerníveis; não pode iludir aqueles que têm a visão da consciência, que observa, e são cavalheiros de nobres desígnios; "Nova Revelação"
Nas obras póstumas
do Filósofo Desconhecido foram publicados certos escritos curtos
de sua autoria, dentre os quais são destaques: "Pensamentos Escolhidos,
numerosos fragmentos éticos e filosóficos, poesias incluindo
"O Cemitério de Amboise", "Estrofe Sobre a Origem e o Destino do
Homem", além de meditações e preces.
Louis-Claude de Saint-Martin era um cavalheiro empenhado na busca da luz. Foi reconhecido como um dos maiores místicos da França, mas a obra de sua vida não se limitou às coisas que escreveu. Toda a sua existência foi dedicada à idéia de um grande renascimento da humanidade e ele desencadeou um eco profundo, não somente na França mas também no Oeste e no Leste da Europa. Sua inclusão por autores
ocultistas franceses entre os expositores da cabala encontra a oposição
de A. E. Waite que embora aceite que algumas de suas doutrinas possuem
certo caráter cabalístico, defende que não existem
testemunhos de que o filósofo tivesse cultivado a literatura cabalística,
encontrando nele poucas condições de ser considerado
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