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Saint Martin
Louis Claude de Saint Martin
(Amboise, França, 18 de janeiro de 1743 - Aunay, França, 13 de outubro de 1803)


 

Filósofo e ocultista, 
conhecido como 
"Le Philosophe Inconnu"
pseudônimo sob o qual 
foram publicadas suas obras. 

Filho de uma família nobre mas pobre seguiu os desejos do pai estudando leis no Collègede Pontlevoy, mas embora fisicamente frágil e predisposto a especulações mentais, mudou a carreira pela de soldado, ingressando no exército onde alcançou a graduação de oficial. 

Filho de uma família nobre mas pobre seguiu os desejos do pai estudando leis no Collègede Pontlevoy, mas embora fisicamente frágil e predisposto a especulações mentais.

Ainda muito jovem, ficou órfão de mãe e, devido aos conflitos com seu pai, não teve uma infância muito feliz, crescendo em sua alma a ardente aspiração a uma vida superior. 

A falta de amor no ambiente familiar o induziu a buscar o amor de Deus. Porém, logo seguiu a carreira  de soldado, ingressando no exército onde alcançou a graduação de oficial. 

Anteriormente havia incursionado na maçonaria e no estudo da filosofia. 

Quando seu regimento se encontrava em Bordéus, conheceu o novo sistema de ritos maçônicos criado por Mártires de Pasqually que ensinava um misticismo de caráter hermético/ cabalístico, chegando a ser seu principal discípulo e propagandista. 

A idéia da Reintegração da Humanidade, proposta por Pasqually, atraiu fortemente Saint-Martin. Sua vida tomou um novo rumo quando ele teve contato com o "Agente Incógnito", um Ser pertencente aos planos superiores e que havia deixado seu selo na Loja de Lyon, cujos ensinamentos causaram em Saint-Martin profunda impressão. Na escola de Martinès em Lyon, o caminho que conduzia ao Iluminismo levava à prática da "magia cerimonial". 

Foi assim iniciado em 1768 na ordem mística Elus-Cohens criada por seu mestre, nela alcançou o grau de rosa-cruz e templário. 

Tendo ampliado seus conhecimentos com leituras intensivas de Swedenborg em 1771, abandonou o exército convertendo-se em um orador místico. Sua habilidade oratória o fez logo favorito dos salões parisienses conseguindo despertar um amplo interesse pelo misticismo, a filosofia e o hermetismo. 
 

Entre 1782 e 1787 visitou a Itália e a Suíça e possivelmente a Rússia. 

Em 1787 viajou para Londres onde conheceu o astrônomo Herschel e o místico suíço William Law, grande intérprete de Boehme. 

Em 1788 travou amizade em Estrasburgo com Charlotte de Boecklin que o iniciou nas obras de Boehme. 

Escreveu diversos livros, sob o pseudônimo de "Filósofo Desconhecido". Influenciou diversos nobres franceses e europeus, criando uma sociedade iniciática, conhecida como Sociedade dos Filósofos Desconhecidos. No início de 1800, sua doutrina já alcançava diversos países europeus, como Alemanha, Rússia e na própria França.

Seus últimos anos passados em Aunay foram dedicados a escrever suas obras e à tradução das de Boehme. Embora não tivesse sido sujeito a perseguições em conseqüência de suas opiniões (salvo uma prisão durante a Revolução Francesa), sua propriedade foi confiscada devido a sua posição social. 
 

Publicamente um católico estrito mas seu primeiro livro foi colocado no Index.

Saint-Martin que rodeado pelos horrores da Revolução Francesa soube difundir na França o alto espírito do misticismo, desenvolveu as teorias de Martines de Pasqually, juntando-lhes um rasgo de gênio que havia faltado a seu mestre. Unificou seus ensinamentos com os de Boehme e Swedenborg e plasmou uma doutrina filosófica própria, o martinismo, que alcançou notável desenvolvimento e grande numero de adeptos.

Saint Martin escreveu as seguintes obras: 
 
"Dos Erros e da Verdade"
A tese desse livro é a de que pelo conhecimento de sua própria natureza o homem pode alcançar o conhecimento do seu Criador e de toda a criação, bem como as leis fundamentais do Universo, das quais encontra reflexo na lei feita pelo homem. Sob essa luz foi mostrada a importância do livre-arbítrio;

"Ecce Homo"
Saint-Martin adverte para o perigo de buscar a excitação das emoções das experiências mágicas de baixo nível, das premonições, dos diversos fenômenos que não passam de expressões de estado psico-físicos anormais do ser-humano.
 

"Tábua Natural das Relações que existem entre Deus, o Homem e a Natureza"
O homem teria sido privado de suas aptidões e seus meios superiores por ter mergulhado na matéria tão profundamente que nisso perdeu a consciência de sua natureza original, que tinha antes da queda e que era um reflexo da imagem de Deus. Com essa queda o homem ter-se-ia afastado do quadro de seus próprios direitos e deixaria de ser um elo entre Deus e a natureza;

"O Homem de Desejo"

Nessa obra vemos a influência da doutrina de Boehme. Essa obra lembra um dos salmos que exprime o ardor da alma para com Deus e deplora a alma do homem, seus erros e pecados, sua cegueira e sua ingratidão. 
 

Nessa obra, Saint-Martin viu a possibilidade de um retorno do homem a seu estado primitivo. Mas esse retorno só seria possível com o abandono da vida do pecado e seguindo os ensinamentos do Redentor Jesus Cristo, o Filho de Deus, que desceu das alturas de Seu trono celestial por amor a toda humanidade;
 

"O Novo Homem"
Nesse livro é tratado o pensamento como um órgão de renascimento que permite penetrar no mais profundo do ser humano e descobrir a verdade eterna de sua natureza. 
 

A alma do homem é um pensamento de Deus.

"Do Espírito das Coisas"
Nesse livro o autor declara que o homem, criado à semelhança de Deus, pode penetrar no seio do Ser que está oculto por toda a Criação e que, graças a sua clara visão interior, ele é capaz de ver e reconhecer as verdades de Deus depositada na Natureza. A luz interior é um reflexo que ilumina as formas;

"O Ministério do Homem Espírito"
Aqui o Filósofo Desconhecido completa todas as indicações precedentes, apresentando um objetivo que não é diferente, qual seja, o da ascenção de uma alta montanha. O homem escala impelido por uma necessidade interior e no antegozo da vitória, que traz a liberdade após tribulações e sofrimentos. É a volta do filho pródigo ao Pai, sempre cheia de caridade e perdão. Isso é alcançar a unidade perfeita com Ele: "O Pai e eu somos um";

"Dos Números"
Trata-se de uma obra inacabada, mas contém muitas indicações importantes que não poderiam ser encontradas em outra parte. 
 

Ele analisou os números de um ponto de vista metafísico e místico. Nos números encontrou uma confirmação da queda e do renascimento do homem;

"O Crocodilo"
Descreve , através de um poema épico de 102 cantos, a maneira como o mal se insinua nas coisas sagradas e com perfídia ele destila seu veneno para destruir aqueles que são cegos e insensíveis. 
 

Mas o mal dispõe de um tempo limitado e pode ser facilmente reconhecido por sinais discerníveis; não pode iludir aqueles que têm a visão da consciência, que observa, e são cavalheiros de nobres desígnios;

"Nova Revelação" 
Saint-Martin trata nessa obra do livre-arbítrio. O homem pode alcançar toda a verdade pelo conhecimento de sua própria natureza mediante todas as aptidões que ele tem: físicas, intelectuais e espirituais. Deve compreender profundamente a ligação que existe entre sua consciência e seu livre-arbítrio;

Nas obras póstumas do Filósofo Desconhecido foram publicados certos escritos curtos de sua autoria, dentre os quais são destaques: "Pensamentos Escolhidos, numerosos fragmentos éticos e filosóficos, poesias incluindo "O Cemitério de Amboise", "Estrofe Sobre a Origem e o Destino do Homem", além de meditações e preces. 
 

Louis-Claude de Saint-Martin era um cavalheiro empenhado na busca da luz. Foi reconhecido como um dos maiores místicos da França, mas a obra de sua vida não se limitou às coisas que escreveu. Toda a sua existência foi dedicada à idéia de um grande renascimento da humanidade e ele desencadeou um eco profundo, não somente na França mas também no Oeste e no Leste da Europa.

Sua inclusão por autores ocultistas franceses entre os expositores da cabala encontra a oposição de A. E. Waite que embora aceite que algumas de suas doutrinas possuem certo caráter cabalístico, defende que não existem testemunhos de que o filósofo tivesse cultivado a literatura cabalística, encontrando nele  poucas condições de ser considerado
como cabalista. 


 
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