| Espelhos refletem luz! E a luz
tem muitas dimensões e significados.
É transpondo o espelho, portal entre dois mundos, que Alice vai conhecer um outro estranho país, cheio de maravilhas . A curiosa fascinação causada pela reflexão da imagem no espelho seduziu os povos desde a mais remota Antigüidade. Egípcios, gregos e romanos confeccionaram espelhos de latão, prata e zinco. Na Itália medieval as damas já usavam presos aos cintos espelhos práticos, pequenos e redondos, em geral, também feitos de ouro ou prata. Foi no século XIV, que artífices venezianos começaram a produzir espelhos de vidro revestido com fina camada de uma liga de mercúrio e estanho. Em 1833 o revestimento passou a ser feito em prata, tal como conhecemos hoje. O Iniciado utiliza o espelho
mágico para fins diversos. O primeiro deles é o desenvolvimento
da vontade por meio do adestramento do olhar como recurso de expressão.
Com isto ele consegue o fenômeno chamado fascinação,
ou seja, submissão de alguém decorrente de impressão
causada pela luz concentrada emitida pelo espelho ou ainda, emitida pelo
olhar do próprio mago, pois que a íris do mago, tal como
um espelho, também é refletor de luz.
A diferença, no caso da fascinação pelo olhar é que o olho, não somente reflete a luz condensada como também, pode o mago, emitir sua própria luz (energia) através do olhar. Papus esclarece:
Note que Papus refere-se sempre à luz astral. Infere-se daí, e não há motivo para pensar o contrário, os espelhos refletem todos os espectros de luz, os visíveis e os invisíveis ao olho físico do humano em estado de consciência normal, ou seja, a vigília. Através do espelho desenvolve-se também uma faculdade chamada vidência, para ver o que está distante, seja no espaço, seja no tempo. O espelho reflete luz astral assim como reflete a luz solar. Se considerarmos os ensinamentos da tradição esotérica, admitindo que a luz astral possui uma espécie de memória universal, registro de todas as coisas presentes, passadas e futuras, resulta que o mago, fixando o olhar no reflexo do espelho ou partindo de concentração num ponto de luz comum, torna-se capaz de perceber a luz astral e nela distinguir ou acessar as informações que deseja obter. Papus descreve o exercício
do Iniciado com o espelho mágico
No momento em que se sentem às
picadas características dos olhos, é preciso desenvolver
uma tensão de vontade para impedir que as pálpebras se fechem,
o que se conseguirá sem muito esforço. Obtido este primeiro
resultado, ver-se-á logo o espelho tomar uma coloração
diferente da que ele apresenta habitualmente: eflúvios vermelhos,
depois azulados e semelhantes aos eflúvios elétricos; e só
então é que as formas aparecerão."
Sóror Fortuna
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