A Criatividade
| .
Aprenda a usar a sua em benefício próprio... . por: João
Gabriel de Lima
Crio, logo existo. Essa adaptação
da máxima do filósofo francês René Descartes
traduz com fidelidade o que ocorre no mundo do trabalho nos tempos atuais.
Para ter sucesso, não basta ser competente e dedicado. No mundo
de hoje, são muitos os que têm essas duas qualidades. Além
delas, é preciso ser criativo. Esse item faz a diferença.
"É a criatividade que tira o profissional do sopão dos medíocres",
diz Francisco Britto, um dos sócios da consultoria paulista BW,
especializada em gestão de talentos ramo que surgiu
justamerne para atender às novas necessidades das empresas.
. Pense em seu círculo de amigos.
Eleja ali três pessoas que se destacaram em suas atividades
quaisquer que sejam. É grande a possibilidade de que, por trás
dessas histórias de sucesso, se encontrem profissionais inventivos,
capazes de superar a rotina. Um empreendedor que percebeu, antes dos concorrentes,
a necessidade de colocar um novo produto no mercado.
Um executivo que, dentro de uma empresa, descobriu um novo filão de negócios. Um cientista que desenvolveu uma nova tecnologia em laboratório e atraiu o interesse de investidores de peso. As pessoas bem sucedidas são competentes e dedicadas se não o fossem, já teriam sido expelidas do mercado das profissões. As que aparecem com realce, no entanto, costumam ter também boas idéias. É assim que se destacam do rebanho. São o inverso dos acomodados, os medíocres que constituem a maior parte da força de trabalho e ajudam a manter o mundo girando sem, no entanto, alterá lo de alguma maneira A criatividade é a ferramenta que forjou o mundo. Ela está presente em tudo o que é humano. Graças a pessoas criativas, foram inventados a roda, a caneta esferográfica, o computador em que esta reportagem foi escrita e uma infinidade de outros objetos que parecem existir desde sempre. Para não falar dos sistemas filosóficos, das teorias económicas e das hipóteses astronômicas. Criatividade é uma extensão da inteligência. A especialista inglesa Margaret Boden, autora de um dos melhores livros sobre o tema, The Creative Mind (A Mente Criativa), define inteligência como a capacidade de armazenar e manejar adequadamente um vasto volume de dados. A criatividade seria o poder de síntese, ou seja, a faculdade de combinar esses dados para obter algo novo e útil. Mal comparando, uma pessoa inteligente vê estrelas e sabe dizer o nome delas, enquanto um ente criativo consegue enxergar os desenhos que as constelações formam. O fisico alemão Albert Einstein,
formulador da teoria da relatividade, definia seu trabalho como uma "arte
combinatória". Essa habilidade em juntar elementos, linguagens ou
áreas do conhecimento está por trás das principais
descobertas científicas e criações artísticas.
Os florentinos criaram a ópera,
no século XVI, misturando as artes da música e da encenação.
Mas a criatividade não é atributo apenas de artistas e cientistas. Em maior ou menor grau, ela é inerente ao ser humano. Se algumas pessoas desenvolvem o seu potencial criativo, enquanto outras não, isso se deve a um fator primordial: o prazer de pensar. Para alguém criativo, ter uma boa idéia é, antes de tudo, agradável e gratificante. Como dizia o cientista italiano Galileu Galilei na peça do alemão Bertolt Brecht, "pensar é um dos maiores prazeres da raça humana". Se nem sempre é possível
mudar o mundo com uma idéia, freqüentemente é possível
melhorar a própria vida. E é no ambiente de trabalho, onde
os seres humanos passam a maior parte do dia e são constantemente
colocados diante de desafios, que esses pensamentos transformadores surgem
com maior freqüência.
Você é criativo? E, afinal, o que define um profissional criativo? Os especialistas concordam em alguns pontos. Primeiro: é alguém dotado de curiosidade. Alguém que, ao receber uma tarefa, não se limita a cumpri Ia da maneira que o chefe mandou. Quer saber por que está fazendo aquilo e como seu trabalho irá repercutir nas outras áreas da empresa. Uma segunda virtude é a inquietude. O profissional criativo não se contenta em fazer apenas o que se espera dele. O que se espera, por exemplo, de um advogado? Que, baseado em seu conhecimento das leis, oriente corretamente seus clientes. Um advogado criativo, no entanto, cruza códigos jurídicos, caça dubiedades forçando a revisão das leis estabelecidas o que, em última análise, faz com que o direito evolua. Uma terceira característica é o realismo. A visão clichê de uma pessoa criativa é a de alguém sonhador, que evita as tribulações do mundo real. Isso é uma bobagem. Um profissional criativo é aquele que sai a campo, confronta se com a realidade e esse choque acende a faísca das novas idéias. "Um profissional criativo é sobretudo alguém que, diante de um problema. levanta diferentes alternativas, em vez de limitar se a soluções conhecidas de antemão", resume a professora Tania Casado, coordenadora do centro de carreiras da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo. Existe uma revolução
em curso no mundo das profissões. O professor americano Richard
Florida, da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, escreveu sobre
ela no livro The Rise of the Creative Class (A Ascensão da Classe
Criativa).
A tese de Florida é que a era do conhecimento testemunha o nascimento da “cultura criativa", em oposição à "cultura corporativa". Na época atual, a capacidade de realizar tarefas corretamente não é mais a mercadoria que os empregados vendem aos empregadores. Isso seria a característica da cultura corporativa. com suas empresas altamente hierarquizadas. Na era criativa descrita por Florida, as pessoas vendem, acima de tudo, sua capacidade de pensar. Espera se mais de um profissional hoje do que no passado. "As profissões estão mais estressantes. mas são também muito mais interessantes, mais prazerosas", disse Florida. "E o novo mundo do trabalho não é apenas uma corrida por melhores salários. mas também por desafios. Os profissionais querem ter o prazer de criar uma obra de arte inédita, um produto novo, um experimento científico em que ninguém tinha pensado antes.” Em sua pesquisa. Florida constatou
que um profissional criativo estimula seu cérebro também
nas horas de lazer. Ler bastante, freqüentar cinema e teatro, viajar
para conhecer outras cultura, ter um hobby que exige atenção
constante como jogos de computador ou esportes radicais
constitui um padrão entre os que são bem sucedidos. Nos Estados
Unidos. a busca de estímulos faz com que essas pessoas se concentrem
em cidades de vida cultural intensa e ambiente tolerante. Um caso clássico,
citado em reportagem da revista Newsweek sobre o assunto, é o da
cidade texana de Austin. No fim dos anos 70, surgiu lá um importante
movimento de rock de garagem. Isso fez com que empresários se animassem
a construir uma grande casa de espetáculos na cidade. Com todos
esses atrativos, Austin se tomou uma meca da juventude no sul dos Estados
Unidos. Na hora de escolher um lugar para instalar seu quartel general.
a empresa de informática Dell hoje uma das gigantes
do ramo decidiu se por Austin justamente por causa disso. O
silogismo: jovens gostam de computadores. informática é um
setor para pessoas criativas, e roqueiros em geral são jovens e
criativos.
"No Brasil, quando alguém
fala que é cientista, as pessoas perguntam a qual universidade ele
pertence. Nos Estados Unidos, quando digo a minha profissão, logo
querem saber para qual companhia eu trabalho", conta o carioca Henrique
Malvar, que ama desenvolvendo novos produtos para a Microsoft, em Seaatle.
A idéia que mudou a sua vida foi criar, há alguns anos, uma
câmera para transmissão de videoconferências em que
a objetiva se dirigia automaticamente ao lugar de onde vinha a fala. Reluzindo
em seu currículo, a proeza ajudou a despertar o interesse da empresa
de Bill Gates.
Malvar teve de emigrar para os Estados Unidos para exercitar suas habilidades de inventor. Se continuasse no Brasil, provavelmente estaria recebendo um salário ridículo como professor universitário e não teria um laboratório decente para trabalhar. Por aqui, 80% da pesquisa é feita pelas faculdades (trata se, majoritariamente, de uma pesquisa burocrática e inútil). E apenas 20% da pesquisa nacional está nas mãos da iniciativa privada. Nos Estados Unidos, ocorre o contrário. Isso é ruim para o Brasil. "A experiência mostra que em todas as economias desenvolvidas, onde há elevado grau de inovação, são as empresas, e não a universidade, as maiores responsáveis pela pesquisa", constata Carlos Henrique de Brito Cruz, reitor da Universidade Estadual de Campinas. O químico carioca Carlos Khalil também faz parte da turma dos cientistas inventores. Ele desenvolveu um processo de desentupimento de oleodutos em grandes profundidades. A tecnologia criada pelo químico rendeu milhões à Petrobras, onde ele trabalha, e vem sendo empregada em vários países do mundo. "Sinto-me um privilegiado por poder ver minhas descobertas sendo aplicadas no mundo real, o que nem sempre acontece a um pesquisador acadêmico", celebra Khalil. A Petrobras é a empresa brasileira que mais registra patentes, à razão de uma a cada quatro dias. Como ela consegue? "Investimos 240 milhões de dólares por ano nisso, mantemos convênios com 232 universidades e institutos de pesquisa e empregamos 750 cientistas na companhia", informa Elias Menezes Oliveira. gerente executivo do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da estatal brasileira. Moral da história: inovar rende fortunas, mas custa caro. Fala se muito que o brasileiro é
um povo criativo. Por que. no entanto, somos um dos países do mundo
que menos registram patentes? Talvez isso se deva à falta de uma
cultura criativa, como existe nos Estados Unidos, pátria do maior
inventor de todos os tempos, Thomas Alva Edison. Lá, idéias
valem dinheiro e o estímulo do dinheiro potencializa
as novas idéias, mecanismo que faz girar a roda do capitalismo.
"A maior parte das empresas brasileiras não sabe lidar com a inovação.
Nos Estados Unidas, todas têm departamentos para analisar a viabilidade
de novos projetos. No Brasil, muitas vezes as boas idéias caem no
vazio". diz Antonio Carlos Teixeira da Silva, consultor na área
de criatividade.
Os brasileiros apenas engatinham na área da criatividade empresarial. Por aqui, a expressão "novos projetos" designa em geral idéias. E o fato de não valorizarmos tanto os modelos de inovação e sucesso. "Nos Estados Unidos, quando alguém é bem-sucedido numa área, ele passa a ser admirado. No Brasil, muitas vezes, a primeira reação das pessoas é de desconfiança, como se o sucesso se devesse não ao mérito, mas à amizade de poderosos. O culto aos modelos de sucesso é importante para um ambiente de inovação", afirma Patel. O brasileiro é visto no mundo como um povo criativo, graças a nossos cartões de visita culturais o futebol e a mistura musical de ritmos. Nesses campos, não por coincidência, o talento vale muitíssimo mais do que a tática e a estratégia. Fora dessas áreas, falta remover entraves sobretudo de mentalidade. Só então um grau significativo
de criatividade chegara à empresa e à universidade. Isso
contribuiria para que o país exibisse um dinamismo econômico
proporcional à capacidade de seu povo de ter boas idéias.
Veja mais em baixo desta página
o teste: Você é uma pessoa criativa?
|
![]()
![]() |
Faça seu teste
Veja mais em baixo: Dicas para ser
mais criativo.
![]()
Clicke na imagem e veja como.
Dicas para ser mais criativo
![]()
![]() |
Venha nos conhecer
www.cidadedasestrelas.com.br
![]()