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Seguidamente
Jesus teria contado a parábola do semeador à população
que se reunira à sua volta. A personagem de Maria Madalena está
associada tão intimamente com a história de Saunière
que é difícil ver nela uma simples pecadora perdoada, como
o Novo Testamento a descreve. A sua proximidade de Jesus chega algumas
vezes a ser evidenciada de modo flagrante.
SANTA MARIA MADALENA ficou conhecida por ser pecadora, mas, pela conversão de sua alma tornou-se santa penitente. Jovem descendente de família nobre e rica e dotada de qualidades invejáveis de corpo e espírito, Madalena ficou orfão em tenra idade. Bem cedo adquiriu independência. Pouco a pouco perdeu o recato próprio das donzelas da época, dando ouvidos à voz sedutora da paixão. Quiz a providência divina que o olhar de Madalena se cruzasse com o olhar sereno de Jesus. Pela primeira vez lhe veio a compreensão de que outra coisa, que não a sensualidade, era capaz de tocar o coração humano: o amor divino. A conversão efetuou-se durante um banquete na casa do fariseu Simão. Diante de Jesus e do espanto de todos, Madalena prostra-se, lavando os pés de Cristo com suas lágrimas de arrependimento e secando-os com seus cabelos. "Teus pecados estão perdoados.
Tua fé te salvou. Vá em paz", diz Jesus. Foi a Madalena que
Jesus escolheu aparecer após a ressurreição.
O que se sabe sobre Maria Madalena é o que está no evangelho de Lucas, João e Marcos, mas o suficiente para ser venerada como santa pela igreja católica e ortodoxa. Maria Madalena é citada como aquela da qual foram expulsos sete demônios, e fala-se de uma mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus. Havia três mulheres com o nome de Maria: Maria, mãe de Tiago, Maria, irmã de Marta e Lázaro, e Maria Madalena, a pecadora. (Mc15, 40), (Jo11,1-2), (Lc10,38), (Lc7,44-50). A liturgia romana faz uma única comemoração dessas três mulheres como se fossem todas uma só, mas a liturgia oriental, as festeja separadamente. Maria Madalena estava juntamente
com a Virgem Maria aos pés da cruz, na agonia da crucificação
foi ela também quem primeiro viu o Cristo ressuscitado. Daí
por diante, há um silêncio sobre seu nome. A tradição
diz que ela ficou com a Virgem Maria e São João Evangelista,
acompanhando-os a Éfeso. A Igreja Católica a venera como
santa e sua festa é em 22 de julho.
"Maria, tu, a abençoada, a quem vou aperfeiçoar em todos os mistérios do alto, fala com franqueza, tu, cujo coração está mais voltado ao reino de céu do que todos teus irmãos" (Pistis Sophia, livro 1, cap. 17). A vida de Maria Madalena só é possível ser traçada através das fontes que nos foram deixadas pela tradição cristã. Estas fontes são os textos canônicos e os chamados apócrifos, principalmente os de cunho gnóstico. Estas fontes eram orais e únicas desde os primeiros tempos do cristianismo, até que no Concílio de Nicéia, em 325, houve a separação do o que era oficialmente aceito pela Igreja de Roma, os textos canônicos. Maria Madalena é, com certeza,
uma das personagens mais enigmáticas do Novo Testamento. Existem
poucas citações diretas sobre ela nos quatro evangelhos,
porém ela está nominalmente presente nas passagens mais marcantes
na vida do Cristo, como a Paixão e a Ressurreição.
Ela é a discípula que ama o mestre acima de tudo e é
testemunha da Sua Ressurreição, sendo a portadora da Boa
Nova. Por isso ela pode ser considerada a primeira apóstola.
Também dentro da tradição gnóstica ela possui um papel de suma importância como transmissora da Gnose, como portadora da Luz e como símbolo do verdadeiro adepto. Para muitas seitas cristãs originais, Maria Madalena era uma Mestra e seus ensinamentos eram oralmente transmitidos. Apesar disso, ela teve toda uma
simbologia gerada em torno de si, que acabou velando o verdadeiro significado
de sua participação na vida e na obra de Jesus Cristo, e
ocultando o real arquétipo que ela representa.
Como mulher cheia de pecados, ela representou o arquétipo feminino tradicional, a transmissora do pecado original, que após ser curada, passou sua vida em penitência e arrependimento. Uma das mais importantes figuras femininas dos evangelhos, Maria Madalena acabou tendo adulterado o significado de seu papel e de sua obra, sendo relegada a um segundo plano dentro da tradição cristã católica romana. Contar a sua história é resgatar a profunda história de amor espiritual ao Cristo e aos Seus ensinamentos, representado pelos atos de Sua discípula mais amada.
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