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Um parafuso
pode estar preso à tampa lateral da sua motocicleta. Você
procura uma justificativa para ele no manual a fim de descobrir se há
alguma razão especial que não permite que ele se solte, mas
só encontra no lacônico estilo técnico uma informação
que não explica o que você quer saber.
Fato comprovado:
você não tem experiência e fica tentando com todas as
forças arrancar o parafuso com a sua chave de fenda, um procedimento
que até agora sempre deu certo, mas que, neste caso, apenas deformou
a fenda do parafuso.
Seus pensamentos
já estavam adiante, você já imaginava o que fazer assim
que retirasse a tampa lateral e, portanto, demora certo tempo até
descobrir que esse pequeno insucesso com um parafuso quebrado não
é apenas um pequeno incidente. Você está encurralado!
Acabou-se. Terminou. Por fim, o conserto da moto tomou-se impossível.
Este não é um fenômeno incomum na ciência. Aliás, é dos mais freqüentes. A pessoa simplesmente fica sem ação. |
Nesse momento,
o manual também não ajuda. O bom senso científico
tampouco. Não é preciso nenhuma experiência científica
para descobrir o erro. Você já sabe qual é. Mas não
sabe o que fazer. Trata-se de um profundo golpe na autoconsciência.
Perde-se tempo. Fica-se impotente. Não se sabe o que fazer, e a
pessoa sente vergonha de si mesma. O melhor seria levar a máquina
para um mecânico profissional que sabe resolver esse tipo de problema.
É bastante
normal que em momentos assim sejamos atacados pela síndrome do medo
e da raiva, e que prefiramos destroçar a capa lateral com um martelo
e uma talhadeira. Ficamos pensando. Quanto mais pensamos, maior é
a vontade de levar a moto até uma ponte e jogá-la no rio.
Pois de fato não dá para aceitar o fato de que se possa fracassar
diante da fenda tão minúscula de um simples parafuso.
Na verdade, nos
encontramos diante do grande desconhecido, o vazio do pensamento ocidental.
É necessário ter alguma idéia, estabelecer algumas
hipóteses.
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Tentemos com um novo
julgamento da situação, aceitando que o nosso aprisionamento
na armadilha seja o ponto zero da nossa consciência, que não
se trata da pior de todas as situações, mas sim da melhor
de todas.
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| No início, você achará que a solução do problema não é importante ou talvez nem valha a pena o esforço; mas o fato de estar detido, com o tempo, revela o seu sentido mais profundo. Pareceu-lhe sem importância porque a sua posição anterior, que o levou a essa pausa forçada, a fez parecer assim. Bem, agora raciocine a respeito do fato de que esse estado de sentir-se imobilizado - tanto faz você se ater a ele ou não -, desaparecerá impreterivelmente. O seu espírito se moverá rumo a uma solução com toda a naturalidade e liberdade. Você não pode impedir isso, a não ser que seja um verdadeiro mestre da obstinação. O medo de ficar detido é infundado, pois quanto mais tempo ficar detido tanto melhor experimentará a qualidade de sua consciência, que, a cada vez, faz com que encontre uma solução. | ![]() |
Em geral, parafusos
são tão pequenos, simples e baratos que não lhes damos
importância. Mas agora que a consciência da qualidade despertou
em você, torna-se claro que esse determinado parafuso não
é nem barato, nem pequeno ou sem importância. Nesse momento,
esse parafuso tem o valor de venda da motocicleta inteira, visto que ela
é totalmente destituída de valor enquanto não se puder
tirar o parafuso. Junto com essa nova valorização do parafuso
vem a disposição de ampliar o seu horizonte.
Qual será a solução não é importante, visto que apenas demonstra qualidade. Todas as soluções são fáceis - depois que as descobrimos. Mas só se tornam fáceis depois que já as conhecemos!

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