![]() |
Freqüentemente tenho encontrado pelo trânsito da cidade, um adesivo nos vidros dos automóveis que diz o seguinte: “A Vida é Sonho”, e me ocorre neste momento uma passagem onde o filósofo e poeta chinês Chuang Tsé (300 D.C.) disse: “Uma noite, sonhei que era uma borboleta. De repente, despertei e era Chuang Tsé. Quem sou eu? Uma borboleta que sonha que é Chuang Tsé, ou Chuang Tsé que imagina que é uma borboleta.”
Inegavelmente
todos nós sonhamos, e numa noite normal de sono vários são
os períodos de sonhos, alguns se lembram de tudo e outros de quase
nada, o fato é que há milênios a raça humana
se maravilha e tenta de muitas formas aproveitar esta inestimável
ferramenta de forma prática para o seu autoconhecimento e progresso.
Vários
são os sonhadores e sonhos que ficaram famosos pela história,
por exemplo os do antigo testamento protagonizados por Daniel e Jacó
ou o de Nabucodonosor e o de Salomão, ou ainda aquele em que Xerxes,
rei Persa, é persuadido a instigar uma expedição que
provou ser desastrosa à Grécia, ou ainda o famoso sonho de
Kekulé no qual viu uma cobra engolindo seu próprio rabo,
possibilitando-lhe estabelecer a estrutura da Benzina, a qual conforme
lhe ocorreu, deveria ter uma forma circular.
Na Grécia antiga muitos lugares “sagrados” eram usados como incubadores de sonhos, seus visitantes tomavam drogas e ervas afim de que lhes provocar o sono, e a partir destes os seus sonhos eram considerados importantes profecias, com especial atenção para seus males e aflições.
A primeira obra substancial que se têm noticia sobre sonhos, foi “Oneiro-critica”, escrita pelo grego Artemidoro(200 D.C.), ele acreditava que os sonhos eram mensagens dos deuses, mas sua atitude já era moderna; ele condenava interpretações arbitrárias e literais, estudava os sonhos que se repetiam e acreditava no “grande sonho”, o importante sonho original, que, segundo ele era o mais difícil de interpretar, desenvolveu um sofisticado método de interpretação e o utilizou com sucesso até o fim de sua vida.
Apesar de diferentes interpretações, os sonhos nos vários povos e religiões durante a história parecem ter o mesmo fundamento: Budistas, Cristãos, Maometanos, Egípcios e Hindus acreditavam que os sonhos eram mensagens divinas e por isso deveriam ser muito respeitadas e sempre utilizadas; os romanos por acreditarem em toda espécie de adivinhações acabaram por engendrar regras e pressupostos, criando um padrão de interpretação que se baseava em símbolos de maneira particular, sem considerar a pessoa que sonha, com isto uma série de livros interpretativos foram desenvolvidos e por mais de 1.500 anos foi defendida a idéia de que os sonhos são eram simplesmente símbolos arbitrários.
Até
recentemente a abordagem sobre os sonhos se baseou nesta postura tradicional
da cultura do ocidente, considerando-se o sonho como apenas uma indicação
codificada dos desejos mais profundos e secretos do sonhador. Depois de
muitos séculos de uma ótica pouco racional dos sonhos, no
século XIX ocorreu uma mudança na análise de seu verdadeiro
significado e importância; notabiliza-se neste período o esforço
dos Srs. Aldred Maury, Sigmund Freud e Carl Gustav Jung na busca de explicações
mais estruturadas sobre os sonhos, do final do século XIX em diante.
Entre os pesquisadores contemporâneos, o que acabou tendo uma visão mais mística e ao nosso ver mais precisa sobre os sonhos foi Jung, ele resumiu dezenas de anos de pesquisas da seguinte maneira:
“Não sei como surgem os sonhos. Tenho, de um modo geral dúvidas sobre se a minha maneira de tratar os sonhos merece mesmo o nome de “método”. Compartilho todos os preconceitos de meus leitores contra a interpretação dos sonhos com a quintessência da incerteza e da arbitrariedade. Mas, por outro lado, sei que, se meditarmos longa profundamente sobre um sonho - se nos concentrarmos nele, se o virarmos e revirmos -- base sempre ele nos revelará algo. Esse algo que obtivermos não nos autoriza entretanto a nos jactarmos de sua natureza científica ou racionaliza-la, mas é uma sugestão prática e importante, que mostra ao paciente em que direção seu inconsciente o esta conduzindo”
É
interessante notar que os antropólogos que estudaram os sonhos em
diferentes sociedades descobriram vários traços em comum
que parecem refletir o conceito de Jung sobre o inconsciente coletivo de
toda a espécie humana. Na Irlanda, Suíça, China, Ucrânia,
Nigéria, Tanzânia, em Bornéu e em Sumatra, sonhar com
carne crua é presságio de desgraça.
Milhares de anos antes de Jung, assim como a maioria dos povos da antigüidade, os Kahunas também realçaram de maneira fascinante os sonhos, eles o trataram de maneira singular; para esta sociedade o sonho era algo individual ao sonhador, fonte de inspiração particular para proveito e instrução, acreditavam ser uma grande dádiva para o uso na vida desperta.
Basicamente os Kahunas concentravam sua atenção nos sonhos premonitórios, de todas as práticas era essa uma das mais importantes até mais do que os feitos materiais como por exemplo provas de fé como a de passear sobre lava incandescente; esta importância era dada principalmente porque os sonhos traziam vez por outra informações significativamente importantes para o futuro e a sobrevivência das próprias tribos.
Os Kahunas tinham ciência de que o futuro não é de domínio público e portanto ninguém a rigor pode vê-lo ou sentir a exata sequência em que acontecerão os novos fatos a não ser pelos avisos recebidos durante o sono. Para os antigos mestres nosso futuro vai se cristalizando dia a dia, e portanto criando uma forma de pensamento cujo acesso esta disponível para todas as pessoas que se dedicarem a desvendá-los com serenidade.
A sabedoria Kahuna prega que toda premonição vem do “Eu Superior” através do “Eu inferior” que como sabemos tem grande facilidade em travar contato com estas formas de pensamento e até receber já livre do invólucro carnal, mensagens e símbolos que podem representar avisos importantes para sua própria vida ou de alguém próximo. Segundo os ensinamentos, somente livre da dominação do “Eu Médio” isto é, durante o sono, é que o “Eu Inferior” em seu estado de maior relaxamento e liberdade absorve os sonhos de premonição, também por esta razão é que os sonhos estão entre as fontes mais comuns para conhecimento de ocorrências futuras.
Nosso “Eu Inferior” executa sua “garimpagem” noturnamente, gerando imagens e sensações extraídas dos sonhos (FORNECIDAS NECESSARIAMENTE PELO “EU SUPERIOR”), este material pode nos ser transmitidos ou simplesmente ser arquivado para mais tarde ser mesclado com fatos ou situações do cotidiano, o que geralmente acaba por produzir por algum processo associativo, um SÍMBOLO que é passivel de ser interpretado pelo “Eu Médio”.
Sabedores do futuro, os Kahunas acreditavam que as pessoas deviam evocar as personagens e as forças atuantes em seus sonhos afim de que elas pudessem ajuda-las nos problemas da vida cotidiana: os sonhos eram analisados todas as manhãs e os adultos advertiam as crianças sobre sua conduta durante os sonhos. Os sonhadores eram estimulados a cultivar seus sonhos e a vive-los intensamente, tentando tirar deles uma conclusão satisfatória e gratificante. Segundo eles dessa maneira podiam diariamente mudar seus destinos sempre para melhor.
Somente com muita prática, é que o sonhar pode nos trazer a faculdade premonitória, o primeiro passo é lembrar-se do que sonhou; para isto você pode “enganar” seu “Eu Inferior” deixando no criado-mudo toda noite antes de dormir um lápis e papel, pedindo a si mesmo para descrever todos os sonhos da noite sem se esquecer de nenhum detalhe ou passagem, logo pela manhã.
Outra prática que traz resultados rápidos e que executo com frequência, é a de tomar 2 (dois) goles de água antes de dormir deixando o copo na cabeceira da cama, lança-se então um desafio ao “Eu Inferior”, lhe prometendo o terceiro gole do copo somente se ele conseguir trazer-lhe um sonho com a resposta para o seu problema ou dúvida, se esta resposta vier satisfatóriamente a promessa é cumprida.
Quando tiver adquirido este hábito, provavelmente também já estará familiarizado com seus sonhos mais frequentes e com os símbolos que particularmente o acompanhará em determinadas situações, é necessário contudo, serenidade e determinismo para o real aproveitamento deste dom, pratique diariamente, pesquise e confie nos resultados
Portanto atente para os tipos de sonhos que passará a ter, eles podem ser simbólicos, podem misturar símbolos com eventos do passado e do futuro e podem também trazer um acontecimento claro e sem confusão de um ponto muito a frente do futuro este tipo é o que mais merece apreço e atenção. Normalmente os fatos de grande conotação para a humanidade ou para importantes grupos sociais, estão previstos ou ao menos sendo formados a dezenas ou a centenas de anos.
Bons sonhos !!!
|
|
Para retornar
artigo anterior,
Clicke no por de sol... |
|
|
Para retornar
ao menu principal,
Clicke no por de sol... |
|
![]() |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|