A Revolução Silenciosa
Por hábito, há anos desde que me tornei “free lancer” e montei minha própria empresa de consultoria, não trabalho nas segundas de manhã.
| Não é apenas "síndrome de Garfield" como alegava uma namorada, que também detestava minhas lasanhas, naquela loucura pré anorexa que toma conta de certas mulheres de nosso tempo, profundamente preocupadas com a silhueta, esquecidas da essência, preferindo passar fome que queimar calorias em saudáveis caminhadas e ginástica... |
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Creio que é na segunda de manhã que a maioria dos seres humanos percebe que muito bem disfarçado, o sistema tenta nos fazer escravos, rouba nossas vidas, tenta nos colocar como graxa de suas engrenagens.
Após a semi liberdade do fim de semana, voltar ao trabalho que para a quase maioria é sacrifício, raramente “sacro oficio”, é algo que incomoda, no mínimo sub-conscientemente.
Consultor já é visto com reticências seguida de interrogação, chegar ainda na segunda de manhã é ter muito pouco senso estratégico.
Desde o natal estou de férias e como minha vida é viajar de um lado para o outro, férias, depois de dois anos sem, está sendo ficar no sul de Minas, sem pegar um avião, sem relógio, sem relatórios (quase, sempre tem um ou outro processo em andamento que precisa de avaliação) passeando entre uma cidade e outra, lentamente, tendo tempo para por leitura em dia, visitar velhos conhecidos, comer quitandas e quitutes de tias mineiras e dar os retoques finais no livro que pretendo em breve entregar.
Entre outras
atividades tenho tido tempo para esta interessante troca de correspondência
via net, com as listas de debate as quais estou ligado e com alguns grupos
de estudo , com os quais mantenho contato regular, via palestras, cursos
ou artigos publicados em seus periódicos.
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Muito temos falado e citado
o filme Matrix, com certeza uma história iniciática de nosso
tempo.
Alguns reclamam da violência do filme, mas como retratar esta época? Com bucólicas cenas?... |
Vivemos um momento interessante na nossa civilização.
Dentro da história
conhecida pela primeira vez atingimos o nível de uma civilização
global. Pela primeira vez nos reconhecemos habitantes do mesmo planeta.
Os nacionalistas
que sempre tiveram na divisão dos povos seu poder se incomodam com
isto.
| Ainda temos os extremistas, gritando pela pureza da raça, gente que nunca criou galinha com certeza, ou saberia que é o híbrido que é forte e resistente, e nada mais fraco que a tal raça pura, vejam os cuidados com um cão ou gato de raça e o vigor de seus pares vira-latas” pelas ruas. |
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Acreditar que o outro é mal por ter cor do uniforme, pele ou olhos diferente, por chamar Deus por outro nome, sempre foi o grande trunfo dos que seguem velha divisa: Dividir para governar. E sempre encontrarão frustados para segui-los.
Mas pouco a pouco, estamos percebendo que fazemos parte do mesmo planeta azul que, como num aquário, o que fazem de um lado do planeta, atinge todos os outros.
Em países como o nosso vivemos o mito da liberdade, da democracia, da independência.
Somos independentes,
mas somos soberanos?
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Não há roda de conversa onde as soluções para o Brasil não sejam apontadas, onde não se pregue o incentivo a educação, saúde, onde não se proteste contra a fome num país que tem supersafras de grãos que se superam ano após ano, onde não se concorde que o mal desse país é a classe política com seus modos coloniais, crendo que o povo é a Metrópole que deve ser sempre roubada. |
Os meios de comunicação para a massa manipulam com facilidade a opnião pública e alguns devem ter visto recentes declarações do falecido General Figueiredo, afirmando, ele ex chefe do ex SNI , ele ex presidente e ex ditador, que a Globo põe e tira do poder quem quer, manipula a opnião pública como quer .
Tudo isto, claro,
mostrado pela própria Globo. Ironia ou crença no sono robótico
das massas?
| Estamos, nós
livres pensadores, pasmos e atentos ao crescimento dos evangélicos
fundamentalistas, não sem razão, pois eles representam o
sectarismo e o dogma absoluto.
Todo fundamentalismo é perigoso pois trás consigo a idéia de exclusividade, da única verdade, a deles claro. Todos os demais devem ser convertidos, ou "eliminados" com as graças e bênçãos de deus. |
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Um deus que estranhamente tem sua vontade similar aos desejos de seus "verdadeiros" representantes aqui na terra.
O interessante é que os grandes mitos dessa época caíram.
O sonho de uma
sociedade comunista, igualitária foi lentamente destruído,
principalmente devido a farsa das ditaduras estabelecidas que arrogaram-se
o título de comunistas e criaram regimes de terror piores que os
por elas derrubados.
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Confundiram
igualdade de condições, que é uma coisa, com nivelar
tudo e todos, esquecendo que se nós seres humanos temos algo em
comum é nossa singularidade.
Singularidade tão
profícua que nos permite crescer por troca e complementação
quando somos maduros, tão temida pelos que querem uma massa útil
e manobrável, amorfa, que não questiona , apenas obedece.
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A ciência
materialista, positivista do século passado, prometia objetivar
todos os campos do saber. "Consciência, sentimento, mente são
conceitos fantasiosos" bradam os behavioristas, " a pura psicologia cientifica
vai aposentar tais termos".
| Físicos
modernos dizem agora: "só foi possível chegar a modelos plausíveis
da realidade quando incluímos a consciência como co-construtora
da realidade".
Embora ainda mal compreendida
e usada para fantasias sem fim por misticóides, a física
quântica deu um golpe fatal no materialismo racionalista positivista.
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As empresas perseguem projetos de qualidade, os profissionais de qualquer área não podem mais se acomodar com aquilo que aprendem na universidade, tem que se atualizar, curso de pós graduação, mestrado, doutorado e ler, ler, se informar.
Não basta ter QI, agora temos que ter QE.
As escolas ainda tentam se adequar a esta revolução e só agora percebem que não adiante mandar alguém decorar matérias, de conteúdo questionável, que o importante é aprender a aprender.
Nunca foi tão
atual a definição de Piaget para a educação:
"Fornecer meios para o indivíduo
atingir sua autonomia moral e intelectual".
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Pois só um ser capaz de tomar suas próprias decisões morais e intelectuais pode viver bem num mundo onde tudo muda vertiginosamente e uma sociedade multicultural, multiétnica está surgindo. |
Os cursos para
funcionários de todos os escalões das empresas pregam: criatividade,
co-participação criativa; imaginação; sonho!
Empregos desaparecem, não
se trata de mera "crise de mercado".
As revoluções tecnológicas sucessivas que estamos vivendo estão mesmo acabando com alguns empregos, eles não vão voltar.
Sistemas previdenciários, saúde pública, em crise.
Mas o sistema
reinante está preso a um mito.
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Que vai crescer eternamente, mais e mais e os deserdados da sorte, a grande massa de miseráveis que sobrevive hoje na periferia do sistema, só tem que esperar pois em um certo momento o crescimento vai atingi-los, que venha o progresso desenfreado a destruição do meio ambiente, o ser humano transformado em objeto. |
Chegaremos na utopia e todos terão a casa dos sonhos, carros na garagem, eletrodomésticos e tudo mais que faz de nossa civilização consumista a destruidora que é, como se peixes enlouquecessem e passassem a poluir a água do aquário onde vivem. Nunca vimos os "primitivos e involuídos" peixes fazerem isso. Só o ser humano , na sua arrogância de ápice da evolução assim age.
O buraco na camada
de ozônio causa degelo no polo, o nível do mar sobe, as ilhas
que primeiro viram o ano dois mil chegar sabem que não verão
muitos mais pois o nível do mar subindo as ameaça, como a
todas cidades costeiras do planeta.
| A destruição
do meio ambiente atinge níveis nunca vistos. Extinção
quase diária de espécies animais e vegetais, algumas extintas
sem nem serem conhecidas.
E a ciência de
nosso tempo, produtora de comodidades e armas está de posse de uma
tecnologia que pode fazer do homem um semi deus.
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No excelente
livro de Paul Radin: "Ciclo heróico dos Winnebagos" o autor faz
uma interessante avaliação: Ele detecta quatro ciclos, no
primeiro chamado ciclo Trickster o herói é dominado por seus
apetites, mentalidade imatura, só se preocupa em satisfazer suas
próprias necessidades. No segundo ciclo, chamado Hare (a lebre)
é o fundador da cultura, o transformador, é um personagem
que corrige os impulsos imaturos do ciclo Trickster. Temos esses dois arquétipos
em nossa sociedade, infelizmente os tipo Tricksters estão no centro
do poder.
Há o ciclo Red Horn um herói
que vence provas e desafios e tem um companheiro vigoroso, um pássaro
chamado "Storms was he walks" ( há tempestades quando ele passa)
. Este ciclo é de pouco sentido para nossa atual cultura.
| Apenas tem sentido
para aqueles(as) de nós que lidam com a magia, com a bruxaria.
Aqueles(as) de
nós que não caíram na arrogância de superioridade
a natureza e suas forças mágicas e sempre buscam a parceria
na Natureza, não seu domínio.
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Flesh- Conciliador, brando, mas
sem iniciativa.
Stump - Dinâmico, vigoroso,
extremamente rebelde.
Juntos tem tanta força que tudo atacam, tudo destroem. Buscam o poder sobre tudo e todos e em sua cegueira do poder atacam um dos quatro animais pilares e criam uma "reação cósmica".
A própria
existência está ameaçada.
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Aqui assemelham-se a tantos
outros mitos heróicos de outros povos.
A hybris, o orgulho cego, a violência desmesurada, o uso sem equilíbrio do poder resulta na morte ou sacrifício do herói para restabelecer o equilíbrio cósmico rompido. Mas entre os
Winnebagos, como entre os Navajos e outros povos nativos há
outra resolução.
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Este abrir mão do poder absoluto, do perceber limites em beneficio da sobrevivência da vida é o tema que trago para análise.
A arrogância da ciência moderna não admite limites.
O consumismo desenfreado de nossa época não admite limites.
Conquistar sem limites é o mito dessa civilização.
Ir além de nossos próprios limites, crescer enquanto seres, superar todas as barreiras de nosso caminho existencial foram sempre metas existenciais.
A civilização
atual aplicou tais propostas ao mundo cotidiano, esquecendo que cada plano
tem suas leis, suas características.
| Aí é
que a filosofia implícita no caminho da Deusa surge como opção
ao caminho patriarcal dominante que tem alimentado nossa ciência
e a guerra em todos seus fronts.
O mito do crescimento infinito, do desenvolvimento material infinito é um de nossos grandes inimigos. Como todo conceito pleno em si que
é aplicado em campo equivocado.
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Quando vamos
voltar a respeitar a natureza, a buscar a harmonia com ela?
Quando voltaremos a buscar a superação de nossos limites em linhas de ação que nos levem a expansão de nossa consciência, de nosso ser? |
Combatendo-o frontalmente como "obra do demônio" ou minando sua força corrompendo sua filosofia, criando o paganismo fast food do modismo.
Assim como a
visão igualitária do socialismo, igualdade de oportunidades
bem dito, foi deturpada na opressão das ditaduras , o paganismo
corre o risco de ter seu nome usado para justificar movimentos inexpressivos,
alienadores, que nada fazem de real pela preservação da natureza
e uma nova postura frente a existência.
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Ecologia, feminismo,
reciclagem, ação holística, terapias alternativas,
desenvolvimento sustentável, são algumas das muitas áreas
que buscam uma resposta mais criativa ao desafio de impedir a crise e derrocada
completa dessa civilização.
Podemos dar uma resposta criativa e ao invés de apenas sofrermos a histórias, podemos co-participar criativamente de um novo ciclo. |
Consciência ou inconsciência?
Cada ato conta,
cada mínimo ato. É a somatória destes atos que pode
gerar a massa critica que pode nos lançar a outro estado de consciência.
| Pois os saltos
de consciência são processos quânticos, como um elétron
saltando para um orbital de maior energia.
Temos que atingir essa quantidade de energia e só nossos atos conscientes e focados poderão gera-la. Não adianta o quase, só o valor inteiro provocará o salto. É isto que o paganismo propõe, que cada um recupere seu elo de conexão com a Totalidade, sem intermediários e descubra que somos seres vivos imersos na vida. |
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Então, quando sentirmos que cada vida é sagrada e misteriosa, talvez sintamos a magia que foi perdida. Perda que faz essa era caminhar apática nesse suicídio lento que chamam “vida civilizada”.
Este o desafio
de nosso tempo. A revolução silenciosa que está ocorrendo.
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Você pode não saber, mas do seu lado pode estar um (a) magista que fala com as plantas, que tem um animal de poder como aliado, com ele visitando mundos outros que não este, que cultua a Deusa, que mantém viva milenar tradição, que estuda os mistérios do tarot e I Ching, que faz magias em seu caldeirão. |
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Você pode nem saber mas aquela pessoa que vê dançando
na festa da sua amiga pode ser herdeiro(a) espiritual de povos milenares
como Maias ou Celtas.
Aquela quieta bibliotecária que você quase nem nota, pode estar conversando regularmente com seres de Orion ou das Plêiades. Aquele menino tímido, aquela garota assanhada, podem ser sacerdotes da Deusa, aprendendo a mesma arte que fez de Merlim atemporal, que pela ponte do Arco Íris ainda liga Asgard a este mundo. |
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Sim é dessa forma que a revolução silenciosa está ocorrendo. De forma tranqüila, mas intensa.
Como as flores desabrocham na primavera e sem que ninguém lhes mande, sem mesmo terem estudado para isso, apenas seguindo seu interior, se tornam frutos na plenitude do verão.
Nuvem que passa
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