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Este debate surgiu na lista "Mulher" onde se debatem assuntos vários entre homens e mulheres sobre o "feminino".
Depois de escrever a minha posição ao debate li de novo o texto e senti que ficou num estilo meio artigo, daí que resolvi mandar para onde sei que o tema abordado será ressonante aos escopos particulares de cada um.
Segue o texto.
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Estou observando o debate e gostaria
de fazer algumas considerações.
Termos, palavras, são ferramentas
complexas que usamos na nossa relação com a realidade.
Palavras implicam sentidos, quando
falamos, ou escrevemos algo, queremos expressar um conjunto de idéias
e sentimentos.
Quando usamos das palavras acreditamos
que o sentido que estamos dando é o sentido que quem lê vai
dar.
Por isso antes de entrar no mérito
do tema, gostaria de localizar alguns termos que estão sendo usados
no debate.
Yin e Yang.
No sentido original yin quer
dizer "nebuloso" , "sombrio" e Yang no sentido original: "estandartes tremulando
ao sol", ou seja , algo que brilha, o "luminoso".
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Há algo de problema com nossa
realidade.
Fato.
Mas observem algumas mulheres.
Margareth Tatcher.
Podemos chamá-la de feminina?
Ela seria símbolo de feminilidade?
Da abordagem feminina do munndo?
O que é feminilidade?
Carla Peres? Adriane Galisteu?
Tereza Collor?
Marion Bradley Zimmer?
Como escritora ela nos trouxe um formidável
resgate do feminino e do pagão.
Uma visão da alma pagã
feminina, com enfoques da intimidade do mito Arturiano que só uma
mulher, só a energia feminina conseguiria perceber e narrrar.
Assim, lendo Brumas de Avalon , vi
que de fato, a ilha do Dragão e a Ilha das Maças tem mistérios
que partilham, comuns às duas, mas há também vivências,
que embora possam ser partilhadas pela magia da comunicação,
só são vivenciáveis pelos habitantes de cada uma delas.
A idéia que tem sido muito veículada
ultimamente de que a Era que se aproxima é Matriarcal leva a questionamentos.
Primeiro, se a era que entra é
Matriarcal, essa que estamos é
patriarcal?
Num artigo que escrevi há algum
tempo questiono esta classificação :
Patriarcal.
Pseudopatriarcal eu colocaria, um
arremedo, uma deturpação dos valores patriarcais para gerar
essa sociedade escravocata, aristocrática, depredadora, belicosa
que está condenando todos nós , a um futuro de crise, quando
temos recursos para viver em harmonia e plenitude.
Dizer que belicosidade, violência,
agressividade são valores masculinos deturpados é apontar
para um fato.
Ditadores, generáis, exércitos
mercenários , donos de empresas depredadoras da natureza. A predominância
de homens nesses meios demonstra algo.
São valores yang deturpados,
Mas e a preguiça, a passividade
frente a necessidade de mudança, conformismo, ceder excessivo, permitir
que invadam nosso espaço próprio?
Não são valores femininos
deturpados?
Gerar sonhos que não são
nossos não é o um valor feminino deturpado, como a mulher
que servilmente gera o varão de seu senhor , mesmo não desejando
a maternidade, mas outras gestações na vida?
Os valores femininos, Yin deturpados
não fazem também sua parte no gerar desse desequílibrio
que aí está?
Isto é importante frisar.
O mundo desequilibrado que estamos
vivendo é composto por sua parcela de valores Yang, masculinos deturpados,
mas também é composto por sua parcela de valores femininos,
Yin, deturpados.
Óbvio que se uma das
características Yang é brilhar, acaba dando a impressão
que os valores Yang predominam, que esta é uma era de valores masculinos
deturpados.
Óbvio que não existe
Yang sem Yin.
Mas o Yin por natureza é obscuro,
dissimulado, sombrio.
Assim os valores femininos, Yin, deturpados que colaboram
para o desequilibrio estabelecido, por vezes nem são citados nas
avaliações mais superficiais.
Portanto não há falta
de Yin ou de Yang no mundo, há ênfase em valores Yin e Yang
que geram um estado de desequílibrio que está destruindo
a vida, levando ao caos ecológico e social, e dentro deste quadro
de coisas houve uma opressão muito maior sobre a mulher do que sobre
o homem, impedindo de fato a livre expressão da mesma.
O detalhe é que o homem também
foi oprimido e explorado, afastado de seu eixo e feito objeto.
O simulacro de poder que representamos
apenas demonstra nossa maior opressão, se assim o permitirmos, nesta
sociedade direcionada para a produção e o consumo de supérfluos
.
O cerne da questão parece que
está sendo desviado mais uma vez.
Ao invés de trabalharmos
umma efetiva substituição dos estilos Yin e Yang que estão
sendo utilizados, nitidamente ineficientes , deixando de lado o agir desequilibrado
e inconsequente desta civilização e recuperarmos um conjunto
de estilos equilibrados e em harmonia com a vida, algo que é necessário
a nível de sobrevivência efetiva , vamos nos deixar levar
para a disputa se deve haver mais Yin ou mais Yang na
próxima ERA.
É como ficar brigando se deveria
haver mais dia ou mais noite.
Quem se lembra de meu outro artigo
sobre o retorno das faces a Deusa acompanhou a argumentação
que os/as xamãs com os quais partilho a existência tem sobre
esse tema.
Assim como ocorre ao entrar
em contato com o paganismo, temos que avaliar com cuidado o que queremos
de fato colocar quando abordamos este tema.
Portanto a primeira coisa seria deixar
claro que as diferenças são aspectos de uma mesma totalidade.
Essa a singularidade da existência,
essa a magia da vida.
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DIFERENÇA!
Se há um fator que nos torna
iguais é o fato de que somos singulares.
Irmanados a mesma fonte, partes de
uma mesma totalidade, somos aspectos distintos dessa totalidade, como folhas,
flores e frutos numa árvore, da mesma fonte emanados, singulares
apresentações da mesma seiva vital impulsionando o código
genético a se manifestar.
Podemos ser singulares
Manifestar a singularidade, o impensado,
o que nunca antes foi feito, pensado, profetizado.
Esse criar do novo, esse libertar
perceptivo dos modelos que aí estão é que, ao meu
ver, representa o grande desafio dessa inegável nova era que aí
está.
Não importa qual o local,dentro
de um curso para empresários em uma "multi" em São Paulo
ou numa vivência xamânica na Chapada, o tema hoje é
sempre o mesmo : Mudanças . Um novo tempo surgindo. Como estar nele
sem
ser dele? Como enfrentar as mudanças.
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Como realizar seu projeto pessoal de
vida.
Nessas semanas entre São Paulo,
e a Chapada percebi que minhas companheiras e companheiros xamãs
e os alunos e alunas nos cursos nas empresas tinham perguntas comuns, feitas
em contextos diferentes e por isso "camminhhaando" para respostas existênciais
distintas.
O fato comum era perceber que um novo
mundo está surgindo e que o caos que estamos vendo a nossa volta
é o caos da criação, do novo, as dores do parto que
antecedem a alegria do nascimento. É sentimento comum esse.
Estamos no meio da crise da mudança,
quem souber se trabalhar agora vai entrar num mundo novo como sujeito,
não como objeto da própria história.
Homens e mulheres tem formas diferentes
de aproximar-se destas questões e tem respostas singulares também.
Cada uma importante e partilhável.
Há uma diferença real,
orgânica entre homens e mulheres é óbvio que influencia
na visão de mundo.
Qualquer pessoa sensível com
o mínimo de experiência de vida vai notar que homens e mulheres
se aproximam das situações com sistemas de abordagens totalmente
diferentes.
Há o jeito masculino de agir
e o jeito feminino. Fato.
Cada cultura carrega esse "
jeito" com nuances próprias, mas a diferença permanece.
Assim como a visão de mundo
determina a relação de uma pessoa com a realidade, concluo
que homens e mulheres tem abordagens diferentes de muitas questões.
O interessante é que pode haver
compreensão empática entre as visões de mundo.
Alguns homens, a experiência
mostra que não são todos, conseguem pensar e sentir o mundo
como as mulheres, dentro de uma perspectiva quase feminina.
Daí que podem partilhar da
alma feminina com mais carinho e cuidados por compreendê-la em sua
complexidade. Essa compreensão empática gera a rica possibilidade
e troca.
Mulheres também fazem o mesmo
em se tratando do mundo masculino.
Essa sintonia é uma habilidade
de expandir além dos limites biológicos e comprender sentimentos
e formas de pensar geradas por um ser que tem um organismo portanto uma
abordagem primária diferente da realidade.
Mulher menstrua, passa por transformações
intensas na mudança para a puberdade.
As transformações masculinas
mais sutis são extremamente prazeirosas...
Nada tão marcante como "começar
a sangrar todo mês".
Algo que para nós pagãos é fantástico,
mas na educação deteriorada da realidade cotidiana não
é visto com tanta tranquilidade.
Pensem como assusta muitas meninas,
mas de qualquer forma marca claramente a mudança.
Dai que o masculino muitas vezes tem
mais dificuldade de amadurecer que o feminino.
O problema que temos poucos exemplos
de sociedades matriarcais.
O exemplo dado pelo Derizans foi muito
válido.
Demonstrar que a administração
de uma sociedade pelas mulheres não libera as mulheres do jugo efetivo
ao qual estão submetidas.
Creio efetivamente que a sociedade
tal qual está aí é machista, não patriarcal
e é imatura.
São gangs de imaturos disputando
quem é o dono da rua, quem vai ficar com a "menina mais gata", quem
é o "bom". Exibindo seu carro novo e suas "coleções
exclusivas" de algo.
Há uma similitude na organizaação
do poder e das atitudes adolescentes que é interessante pouco ser
falado sobre isso.
Ao meu ver, o que temos no mundo não
é patriarcalismo, tão pouco valores masculinos.
VALORES MASCULINOS?
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Me permitam, como homem, me sentir
ofendido por fazerem tal valor de nós.
Num mundo de covardia, deslealdade,
mercenários a soldo de poderosos usando da violência para
se impor, onde a vileza predomina, estes valores predominando e alguém
alega que isto é masculino?
Eu e todos os homens que se religaram
as 4 faces do Deus negamos isso.
Estes valores são aberrações,
deturpações do comportamento que geram o mundo caótico
que estamos vivendo.
Assim não é apenas o
feminino que está perdido e precisa voltar.
É o masculino também,
os valores verdadeiros da masculinidade, tão importantes quanto
os valores verdadeiros da feminilidade.
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Tais valores só retornarão
se nos pusermos a mergulhar em nosso próprio interior e descobrirmos
o que somos, que singularidade da existência viemos expressar.
A realidade de nossa existência é diretamente
proporcional a nossa singularidade.
Assim podemos nos saber existentes
de fato.
Homens e mulheres são formas
que usamos neste nosso estágio da viagem mágica da existência.
Em cada condição temos
uma perspectiva muito própria que tal estado singular nos dá.
Comprender plenamente a si mesmo antes
de mais nada é um primeiro passo para que a compreensão dos
outros seja possível.
Assim quando se usa o feminino como
forma de apontar para valores que precisam voltar, como eco-visão,
intuição, a sensibilidade, lembraria que essa mudança
só será possível com coragem, ousadia, destemor, ação
incisiva, valores Yang que são ponte aos valores Yin almejados.
Portanto só com a ação
efetiva de homens e mulheres plenos em sí poderemos de fato entrar
nesta nova era que efetivamente está chegando, dentro de paradigmas
mais equilibrados que os atuais.

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