Saudações as brisas,
vendavais, tufões, ventos dos quatro cantos, enfim a todos e todas
que fluem pelo mundo seguindo os antigos ritmos de nossos ancestrais, se
recusando a servir nesta era de escravos.
Há muitas formas sutis pelas
quais os dominadores se impõe em nossa vida.
Essa "sociedade civilizada" que
aí está o que é ela senão um conjunto de valores
oriundos dos conquistadores que em todos os continentes vieram sistematicamente
exterminando os povos nativos e impondo seu modo de vida.
Estamos num momento delicado de
nossa história enquanto espécie.
Temos os meios para destruir não
só nossa própria espécie mas toda a vida e o próprio
SER TERRA.
O perigo nuclear está aí
e só os muito irresponsáveis e os muito iludidos não
o percebem.
A poluição da Terra,
da água e do ar, a destruição e extinção
de nossos irmãos animais e plantas está acontecendo agora
enquanto escrevo este texto e vai continuar acontecendo enquanto vc o lê.
O chamado "renascimento" do "esoterismo"
que assistimos em nossos dias tem dois lados bem distintos.
Por um lado grupos e pessoas dotadas
de seriedade estão vindo a público revelar conhecimentos
e práticas, informações que estavam antes mantidas
em segredo sendo passadas de boca para ouvido, de um para outro numa linha
secreta que visava manter viva a chama desde o fim da última grande
civilização global , há aproximadamente 10.500 anos
atrás.
Se formos a Angkor, a Esfinge Egípcia,
as pirâmides, vamos descobrir que estes monumentos estão astronomicamente
orientados com eventos que nos levam a esta data: 10.500 anos atrás.
Uma civilização planetária.
Mas algo aconteceu, mudanças
ocorreram e isto foi se perdendo, até que manobras diversas levaram
a um eclipsar desses antigos povos e só lendas restaram.
De forma sistemática em todas
as partes do mundo novas culturas tentaram destruir as antigas.
Se apropriaram da forma exterior
de seu saber, mas não de sua essência.
Os povos nativos sempre tiveram
sua forma de ser.
Tal forma de ser tinha como base
a harmonia com o Ser Terra no qual vivemos.
A civilização na qual
estamos inseridas "coisificou" tudo.
As pessoas se vêem como coisas,
se tratam como coisas, a vida foi tornada uma coisa e agora sofremos a
consequência disso, quer no caos social, quer no caos psicológico,
quer no caos ecológico que vivemos.
Há duas posturas possíveis
aqui.
A alienação, em várias
formas, mas em essência a velha idéia de que o "que importa
com o mundo não me incomoda, interessa ou diz respeito".
Esta a postura dominante, os que
assim agem de uma forma ou de outra, por ação ou omissão
servem aos que trabalham pela destruição.
Outra postura é a ação
incisiva, direta, consciente, que pelo agir muda o mundo, sem ficar pregando,
sem ficar escravo de teorias mas mostrando a realidade em atos.
Só atitudes podem mudar a
realidade a nossa volta.
A Tribo do Arco Íris se caracteriza
por atos.
O Arco Íris é um ato.
Ali estão as gotas de chuva,
suspensas, plenas em si mesmas e então a magia acontece.
O pai Sol está emitindo sua
luz e da interação entre a luz que percorreu o espaço
imenso, e as gotas de água, fonte de vida, surge a beleza, surge
o Arco Íris, Bifrost para os antigos nórdicos, a ponte que
une este mundo a outros.
Em outros tempos poderíamos
nos esquivar de uma ação direta e incisiva sobre a realidade,
mas hoje frente a realidade que enfrentamos todo ato de alienamento é
uma colaboração a destruição contínua
da mãe Terra.
Buraco na camada de Ozônio,
vazamentos de óleo e petróleo, produtos químicos lançados
aos rios, mercúrio dos mineradores, árvores sendo abatidas,
animais exterminados pela destruição de seu habitat.
A caça foi tão deturpada
quanto a idéia de combate e o termo caçador está tão
empestado de falsos significados quanto o termo guerreiro.
Este o mundo que vivemos.
O mundo no qual estamos inseridos.
Existem muitas teorias que permitem
uma alienação progressiva dos fatos que enuncio acima, mas
os que trilham os caminhos dos povos naturais tem no exemplo da destruição
das complexas civilizações de nossos antepassados fontes
concretas da falácia de caminhos que descuidam do aqui e agora.
Estamos numa batalha, um bom combate.
A convocação aos guerreiros
e guerreiras do Arco Íris está sendo feita.
Precisamos de pessoas inseridas
na realidade, que estejam no mundo sem ser do mundo.
Fugir do mundo alienando-se do mesmo
já mostrou sua falácia.
Precisamos de pessoas que são
mais fortes que o mundo, isto é, que estejam plenamente inseridas
na chamada "normalidade", no chamado "cotidiano" mas que não estão
presos(as).
Este tem sido um desafio constante
em minha vida, auxiliar as pessoas a estar no mundo sem alienar-se de si
mesmas, estar na chamada "realidade cotidiana" usando a mesma como desafio
não como lugar de perdição de sua própria essência.
Esse caminho incomoda profundamente
os teóricos, os que desejam apenas continuar em sua arrogante postura
de donos(as) do saber, escondendo-se em "revelações" ou ainda
naquela velha artimanha de "sigo o meu próprio caminho" querendo
na realidade dizer com isso que não aceitam propostas que os (as)
tirem da farsa que chamam de vida e os joguem num campo real onde podem
mensurar o fato de suas crenças.
Esta é uma grande vantagem
deste mundo desequilibrado.
Ele destrói ilusões,
é implacável com as falsidades.
Só os que estão prontos
para enfrentar a vastidão da eternidade suportam a loucura da realidade
cotidiana.
Os Toltecas através de seus
modernos emissários, como o Nagual Charles Spider e o Nagual D.
Miguel Ruiz, insistem nisso de várias formas.
O velho nagual Aureliano Mariano
insistia que as pessoas adoram ficar nos aporrinhando para que digamos
o que elas devem fazer, então elas se enchem de suas verdades prontas
e fazem exatamente o contrário.
Por isso o xamanismo é distante
de qualquer proselitismo.
Sugerimos propostas, quem as assumir
é por sua própria conta e risco.
Não temos "mestres", "gurus"
ou algo similar entre nós.
Nem ligados estamos com "revelações"
absolutas.
Aqui, entre nós o conhecimento
é cumulativo, é apreendido era após era, geração
após geração e só pode ser tido por quem o
expressa.
Dizer coisas, falar de teorias é
muito fácil.
Mas eu não acredito em ninguém
que não tenha uma vida concreta e efetiva neste mundo com atos que
corroborem aquilo que falam.
E entre nós não temos
seguidores (as) pois seguidores são algo menos que humanos, algo
menos que seres viventes.
Autonomia intelectual e moral é
o mínimo que esperamos para pessoas que pretendem cruzar a árdua
fronteira do "conhecido" e entrar no "desconhecido".
E o primeiro desconhecido para quem
desperta é aqui mesmo, no aqui e agora, pois estamos de tal forma
isolados desta realidade, de tal forma iludidos no sono e no sonho que
ficamos apenas teorizando, sem nada de fato realizar.
Assim estar no mundo sem ser dele,
realizar atitudes na direção da cura do ser Terra no qual
vivemos, agir conscientemente rumo a um novo estado de consciência
me parece o primeiro e decisivo passo de quem pretende agir rumo a realidade
maior que nos circunda e insiste em sussurrar além dos muros de
certezas vãs que tantos erguem ao seu redor.
As pessoas querem fugir do incômodo,
do vazio, da incerteza, preferem falsas constatações que
a ameaçadora força da Eternidade que nos reduz ao que somos
de fato: Poeira cósmica.
Mas aí está o mistério,
aí o maravilhoso que parece ter escapado de tantos:
Nós que nada somos desafiarmos
a incrível solidão e vastidão da Eternidade.
Este é meu convite a vocês,
este é meu convite aos que desejam trilhar o caminho dos xamãs
guerreiros, que tem na ARTE sua fonte e inspiração.
A partir deste texto pretendo formar
um centro de aglutinação virtual.
Pretendo que nos reunamos como num
fogo de conselho, que tracemos nossas estratégias e partilhemos
nossas vitórias e perplexidade nesta luta contínua rumo a
nós mesmos, rumo a harmonia que não é pasmaceira,
mas dinâmica, como a Vida, que opera em níveis crescentes
de homeostase, mas nunca em estáticos padrões.
Adaptar-se e saber lidar com novas
situações é a base para toda a vida, tanto para a
vida orgânica, como para nós que pretendemos de fato entrar
em outros mundos e realidades.
Estamos em um combate e vocês
notaram que muitos de nossos inimigos são aqueles (as) que fingem
buscar algo além quando na realidade querem apenas continuar com
suas vidas como estão, sem nada mudar.
Sem mudar profundamente o que trazemos
em nós é impossível ir além da prisão
na qual nos encarceraram, prisão vil e terrível, pois é
conceitual.
A liberdade dos (as) xamãs
é a busca da liberdade perceptiva, liberdade de perceber.
Quando falamos em criar um corpo
de energia isto é altamente revolucionário, quando falamos
em ir além da realidade que nos obrigaram a ter por única
isto é revolucionário.
Isto vai nos incomodar, vai nos
desassossegar, vai nos levar a crise e então a mudanças.
As ilusões caem, os estereótipos
que tinham por mito se revelam em sua inadequação.
Aí entram os caprichos.
Conheço gente que preferiu
o capricho de se fazer de louco (a).
Sim, conheço pessoas que
preferiram se entregar a idéia que ficaram "perturbados" e então
saíram do caminho, ao invés de assumir que era o novo e o
impensado chegando deixaram que o mundo os (as) convencessem que estavam
perturbados(as).
E assim ficaram mesmo perturbados(as)
e aí estão, por aí, vagando, se entregando.
Outros(as) se entregam com poses
de pseudo rebeldia, com poses de "não aceito suas "ordens", como
se as dicas de quem pode sugerir atividades para ajudar o despertar fossem
ordens de alguém.
Estas pessoas apenas confundem a
Tradição com as briguinhas pessoais que tinham contra o sistema
ou contra a família e então sempre encontrarão pessoas
que as ajudarão a "fortalecer suas certezas".
Mas o fato permanece o mesmo.
A luta entre consciência e
inconsciência continua sendo travada e aqui não há
neutralidade: ou se trabalha para a consciência ou se está
fluindo para a inconsciência.
Enquanto escrevo surge uma música
na seleção aleatória que deixei o som aqui, partilho
um pouco da letra:
"Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde estou
Meu destino não é
de ninguém
EU não deixo meus passos
no chão
Se você não entende
não vê
Se não me vê não
me entende
Não procure saber onde estou
Se meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse Sol
Se minha mente virasse Sol"
Estamos em atividade.
Temos que ser cuidadosos.
Me lembro dos Templários,
traídos pelos que não conseguiram a eles se ligar.
Me lembro de nossos antepassados
espirituais trucidados pelos terríveis conquistadores, com suas
armas, cruzes e religiões de pecado, medo e dor.
Estamos em plena batalha. Ou iremos
para a a extinção de toda a vida neste planeta, com risco
mesmo de morte do SER Terra, ou iremos para um novo mundo, um mundo que
pode surgir se atingirmos a massa critica, isto é , se um número
suficiente de nós conseguir "sonhar" o novo mundo.
É para isso que estamos aqui.
Para partilhar esse sonho.
Para tecer esse novo sonho, com
a ajuda da grande aranha dourada que teceu o primeiro mundo de nossos antepassados,
que ainda tece o sonho destes , que podemos também sonhar.
O velho nagual dizia que entramos
num rodamoinho e indo ao fundo cremos ir a algum lugar quando na realidade
apenas nos aproximamos da destruição.
Sair desse rodamoinho, voltar a
ser livre barco, navegando pela vastidão do mar escuro da consciência
é o desafio que se apresenta a cada um de nós.
Sinto agora o vento da noite, a
lua crescente no céu, a vida se mostrando no jasmim na minha varanda
que renasce após a poda de inverno que realizei na lua nova de Agosto.
A vida retorna após a poda,
assim vejo este momento que se aproxima.
Neil Gaimon em sua série
SANDMAN conta algo belo quando fala : "Se mil gatos sonharem o mundo deixará
de ser como é e voltará a ser um mundo de gatos".
Nós do povo felino entendemos
a mensagem.
Sugiro a leitura de "Um sonho de
mil gatos".
Aos que perguntam qual é
meu objetivo respondo com este conto.
Trabalho apenas para que mil gatos
sonhem...
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