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Uma guia roída na ponta, as tigelas de comida mastigadas na borda e uma porção de ossos enterrados pelo quintal. Além disso deixo para você as memórias, que aliás são muitas.
Deixo para
você a lembrança dos meigos olhos azuis, a cauda levemente
arqueada no meu dorso, abrindo um leque de pelos, a movimentação
das orelhas em alerta, só alterando por ouvir o que me pedia.
| Deixo
para você um controle remoto todo destruído, eu o mastiguei
todinho, por vocês terem me deixado em casa, quando tinha uns 5 meses
de idade.
Deixo a lembrança da primeira “dura” que levei e também a do meu total esquecimento. |
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Deixo para você o meu ponto de parada na esquina da estrada, no alto do barranco debaixo da árvore. Ali eu te esperava de suas idas e vindas da cidade, não que me trouxesse sempre algo, mas sim do seu agrado porque ali eu estava. Eu sinto muito!...
Deixo para
você a alegria dos contos, das tentativas frustradas dos turistas,
ao tentarem me pegar.
| Deixo para
você, como herança, a minha devoção, a minha
simpatia, meu apoio quando as coisas não andavam bem.
Eu nunca fui à igreja e nunca escutei sermão; no entanto, mesmo sem haver falado sequer uma palavra em toda a minha vida, deixo para você o exemplo de paciência, de amor e compreensão. |
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Sua vida foi
e tem sido mais alegre porque eu “vivi”
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