Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick
 
GUARDANDO UM SEGREDO
 
 
"Pleiteia a tua causa com o teu próximo mesmo;
e não reveles o segredo de outrem"
                        (Provérbios 25.9).

    Tem havido, entre os homens, sérias desavenças, por causa de uma confiança traída. Mas tudo indica que esse é um mal  tão antigo  quanto  a  própria  humanidade,  pois,  há  inúmeros séculos, já o sábio rei fazia menção  ao  assunto.  Sabe-se, entretanto, que tal situação é desagradável e representa  um duplo  prejuízo,  oriundo  de  uma  mesma  circunstância:  o devassamento de  um  segredo  e  em  conseqüência,  também  o rompimento de um elo importante,  entre  duas  pessoas  -  a confiança.

    Diz-nos uma antiga fábula que certa vez a  cutia, sentindo-se  desrespeitada  pelos  outros  animais,  decidiu mudar-se sem deixar o endereço. Escolheu morar  junto  a  um  ingazeiro e, quando preparava a nova casa, eis que aparece a raposa e põe-se a tagarelar:

 - Como vai, cutia? Por que está toda empoeirada?
 
 - Nada de especial, mas não quero que ninguém saiba. Direi senhora  porque  confio  na  sua  discrição  -  e  a   cutia segredou-lhe ao ouvido:
 
 - Fiz uma nova casa aqui, junto à raiz do ingazeiro.
 
 - Nova casa? Mostre-me o local exato e prometo guardar bem o segredo...

     A raposa saiu toda faceira, por ser achada digna de  guardar sigilo. E ia tão distraída que nem  percebeu  que  o  coelho cruzava seu caminho.

 - Onde vai, raposa? Parece-me tão distraída... - comentou  o coelho, curioso.
 
 - Estava analisando  o  local  da  nova  moradia  da  cutía. Desculpe-me...
 
 - E ela está de casa nova? Eu nem sabia disso -  concluiu  o coelho.

 - Mas não diga nada a ninguém, pois é segredo  de  Estado  - pediu a raposa.
 
     Encontrando o caxinguelê, o coelho comunicou o fato e  pediu segredo. Continuou seu caminho e passou pelo macaco; parando um pouco, contou-lhe ao ouvido sobre a nova casa  da  cutia, pedindo-lhe que não contasse aos outros animais.

    Por sua vez o macaco, encontrando-se mais tarde com a capivara, passou a notícia para frente, dizendo que era do  mais  alto  sigilo.

    Ora, a capivara não precisou andar muito para  se  encontrar com a tartaruga  e  também  lhe  transmitiu  a  notícia  sob promessa de guardar o segredo. Porém, mal encontrou-se com o lobo já foi contando o que ouvira...
 
    O certo é que  à  tardinha  todos  os  pássaros,  animais  e répteis da floresta já sabiam que a cutia se mudara e que  a nova residência ficava junto à raiz do velho ingazeiro,  que se erguia ao lado da velha ponte. O resultado  foi  que,  no decorrer do dia, todos já haviam passado por lá e feito  uma vísita de cortesia à companheira.

    A cutia sentiu-se ofendida com a atitude da raposa,  a  quem havia demonstrado  total  confiança  ao  lhe  passar  o  seu segredo. E foi dessa circunstância que lhe surgiu uma idéia:

    Arrancou a placa que indicava  sua  antiga  residência  e  a colocou à porta da nova casa. A placa dizia:
 

 
 Aqui  mora  a Cutia 
 
    Porém, quando reinou absoluto silêncio na  floresta, ela voltou a instalar-se na antiga moradia e  ali  ficou  em paz por muito tempo....
 
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