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Por: Jennifer Homan
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. Tradução: Gabriel Mallet Meissner . A espiritualidade neopagã tradicional, embora tenham as suas raízes firmemente baseadas em autonomia, flexibilidade, anti-autoritarismo e sistemas de crenças pessoais, tem tido dificuldade de aceitar os radicais em seu meio. Os "radicais" do movimento neopagão são, na minha opinião, as feministas ou bruxas "diânicas" e os grupos de homens gays dentro da Arte, às vezes chamadas de Radical Faeries (N.T.: Fadas Radicais. "Faerie" é uma gíria americana para homossexuais masculinos. Por falta de um termo 100% equivalente em português, preferi manter o termo em inglês). Os medos e as suspeitas que os pagãos mais tradicionais têm destes grupos não são de surpreender quando levamos em consideração que todos nós, neopagão incluídos, fomos criados e educados nesta sociedade patriarcal. Assim como é difícil para a população em geral aceitar o feminismo e a homossexualidade, os neopagãos têm as suas próprias dificuldades nestes assuntos. Embora neopagãos geralmente
aceitem novas idéias e mudanças de boa vontade, desafios
às normas aceitas são sempre ameaçadoras. Portanto,
aqueles que desafiam na Arte as idéias convencionais da polaridade
masculino/feminino ou o culto de equilíbrio entre a Deusa e o Deus
são compreendidos mal ou vistos como uma ameaça.
A Arte Tradicional
Há muitas "seitas" diferentes
dentro do paganismo tradicional. Embora cada um tenha diferentes rituais,
deuses, focos, heranças e enfeites, todos têm princípios,
estruturas e normas similares. Por exemplo, um princípio de um coven
tradicional é o equilíbrio entre o Deus e a Deusa. A Deusa,
a as mulheres que ela representa, são consideradas portadoras de
aspectos "femininos", tais como fertilidade. Os homens e o Deus são
associados a aspectos "masculinos", tais como a caça e o ciclo de
morte/renascimento. Embora este estilo de culto realmente inclua e dê
importância tanto aos homens quanto às mulheres, algumas feministas
sentem que ele é uma perpetuação das - e pode levar
à novos caminhos de continuísmo - regras patriarcais. Muitos
covens tradicionais insistem na polaridade masculino/feminino no coven,
e especialmente para o Grande Rito. Isto, é claro, exclui gays e
lésbicas fisicamente, e possivelmente metafisicamente (em termos
de energia). Outro paradoxo da Arte tradicional é que embora seja
anti-autoritária, há alguns líderes e professores
nomeados (a Alta Sacerdotisa e o Alto Sacerdote) em cada coven. Freqüentemente,
para ser considerada uma bruxa "de verdade", a pessoa precisa achar um
coven, fazer um pedido de iniciação, sujeitar-se a um período
de espera e galgar os três graus de iniciação. Então,
e só então, esta pessoa pode começar o seu próprio
coven.
Estes e outros aspectos da Arte
tradicional são rejeitados pelos grupos diânicos e Radical
Faeries. Esta é uma fonte de disputa e desentendimento entre tradicionalistas
e os ramos mais "radicais" de paganismo. Muitas mulheres e homens dos grupos
tradicionais estão preocupados pela rejeição resoluta
de princípios, estruturas e normas, assim como por afirmações
tais quais "... que as mulheres são bruxas pelo direito do fato
de serem mulheres..." (Adler, p.178). Bruxas diânicas também
trazem a Arte ao público por misturarem política com religião.
Nem sempre isto é aceitável para a Arte tradicional. As políticas
separatistas de algumas feministas e covens gays também são
ameaçadoras às bruxas e aos pagãos tradicionais. Mas
estas diferenças externas são justamente isto: externas.
As reais "ameaças" à bruxaria e ao neopaganismo convencionais
são as revoluções no pensamento, idéias e simbolismo
que estão tomando lugar em covens feministas e gays. Estes grupos
estão redefinindo os conceitos de matriarcado, poder, diversão,
crescimento, polaridade, Deusa, Deus, política, masculinidade, feminilidade
e ritual. Essencialmente, o que eles estão mudando são os
seus conceitos de gênero sexual e seus papéis. Ao achar novos
caminhos de ver e utilizar o poder, o arquétipo e a polaridades
destes grupos estão mudando radicalmente as suas ações,
consciência e subconsciente. Estas são as pessoas que podem
realmente revolucionar a nossa sociedade e os papéis dos gêneros
sexuais nela.
A Espiritualidade Feminista
"Obviamente há uma ênfase
excessiva em certas coisas, mas a minha hipótese é que quando
a balança pesou demais para um lado, é necessário
pesar muito o outro lado." Mary Ritter Beard.
A espiritualidade feminista começou
do movimento feminista dos anos 70 e daqueles que dentro deste movimento
estavam insatisfeitos com as idéias e a religião patriarcais.
Mulheres estão começando a criar a sua própria religião.
"As mulheres hoje estão descobrindo que a espiritualidade é
autêntica quando é intrinsicamente subjetiva, quando é
trazida para fora, penadamente do útero da sua própria experiência"
(Kolbenschlag, p.160). As mulheres estão começando a olhar
as suas próprias experiências e sensações (intuição)
e a confiar nelas. É importante para as mulheres validar e confiar
nas suas experiências e sensações pessoais antes de
confiar em si mesmas. A espiritualidade que vem de dentro está tomando
o lugar do dogma que vem de fora. Algumas mulheres que estão explorando
a sua espiritualidade participaram de grupos de expansão da consciência
aonde elas pela primeira vez foram permitidas a examinar e validar as suas
sensações e experiências. Elas começaram a olhar
para as idéias defeituosas do patriarcado (tais como a divisão
entre o espírito e o corpo, a racionalidade linerar e o "poder sobre")
e a achar alternativas a esta idéias (vidas políticas e espirituais
interdependentes, pensamento [intuitivo] não-linear e poder-de-dentro).
Algumas revistas feministas começaram
a olhar para a idéia de religar espiritualidade e política.
Country Woman dedicou uma edição (Abril de 1974) ao assunto:
Para mulheres "políticas",
"espiritual" significa instituições e filosofias que têm
imobilizado mudanças práticas e canalizados as energias das
mulheres para servir a outros em seu próprio detrimento. Para mulheres
"espirituais", "política" significa instituições e
filosofias que negam a unidade das pessoas e que têm canalizado a
criatividade das mulheres para destrui-las e fazê-las lutar umas
contra as outras... Desde que as mulheres começaram a notar as diferentes
partes das suas experiências e a categorizá-las em termos
usados pela cultura patriarcal, elas começaram a suspeitar umas
das outras. (Adler, p.1985).
Mas muitas pessoas desejam e gravitam
em torno da espiritualidade e as feministas não são exceção.
As mulheres que precisam de uma espiritualidade feminista começaram
a olhar para as religiões e arquétipos da Deusa. É
claro, elas acharam a bruxaria. Como um das únicas religiões
que dão um papel igual, se não superior, a bruxaria logo
foi reinvidicada pelas feministas como sua propriedade.
Em 1968, WITCH, "um grupo de mulheres
que estão engajadas em ações de protesto políticas
e surrealistas" (Adler, p.179), distribuíram panfletos que usavam
o arquétipo da bruxa. Elas afirmavam que uma bruxa era uma mulher
que fazia as suas próprias regras, que tirava o poder de si mesma
e que lutava pelas suas irmãs (Adler, p.206-207). Este grupo via
as mulehres como bruxas inatas e as bruxas como as primeiras revolucionárias
e resistentes. Desta forma, feministas são capazes de reconciliar
política com espiritualidade. Isto era de grande importância
para muitas novas bruxas feministas. Um revista feminista chamada Quest
fez uma edição especial dedicada à espiritualidade
(Volume 1, #4, Primavera de 1975) para publicar um artigo de Judy Davis
e Juanita Weaver que dizia:
A assim chamada divisão entre
feminista cultural e feminismo político é um resultado debilitante
na nossa opressão. Ela vem da noção patriarcal de
que o espiritual e o intelectual operam em reinos separados. Negar o espiritual
ao fazer política ou cultivar o espiritual às custas do bem-estar
político ou econômico é continuar o jogo patriarcal.
(Adler, p.185).
Feministas são capazes de
praticar bruxaria (uma religião de poucos aspectos históricos
de opressão patriarcal sobre as mulheres), bem como de continuar
a sua própria vida política. Desta forma, ambas as coisas
são capazes de alimentar um à outra: a bruxaria dá
às mulheres força em suas lutas políticas e o ativismo
político dá à bruxaria uma voz no foro público.
Zsuzsanna Budapest, que começou a sua vida na América exilada
da Hungria, achaou que a sua herança de bruxaria poderia ser unida
à sua nova visão de trabalho político como feminista.
Zsuszanna é agora um membro
da Arte feminista e autora de numerosos livros e artigos. Ela acredita
que a religião é "a política suprema." "Religião
está aonde você pode alcançar as pessoas em seus mistérios,
nas partes dos seus seres que foram negligenciadas, mas que são
tão importantes e dolorosas..." (Adler, p.188). Esta é uma
afirmação inteligente. O que podem ser melhor do que mudar
uma pessoa e o seu futuro senão através do nível subconsciente
do simbolismo religioso?
No livro de Marion Zimmer Bradley,
As Brumas de Avalon, os personagens principais, Viviane e Morgaine, combinam
a sua religião com o seu envolvimento político. A Antiga
Religião da terra dava importância às mulheres assim
como aos homens e não subjugava um ao outro. Se o Grande Rei não
jurava lealdade à Antiga Religião (e ao Sacerdote e à
Sacerdotisa de Avalon), a religião iria morrer. Uma vez que a política
do reinado teria um efeito direto sobre a sua religião e suas vidas,
Morgaine e Viviane estavam determinadas a influenciar o Grande Rei. Desta
forma, elas podiam assegurar a sobrevivência da religião e
do velho modo de vida.
Muitas bruxas feministas vêem
o matriarcado como uma parte importante do seu passado e do seu futuro.
Muitos acadêmicos irão debater a existência de qualquer
matriarcado passado. Para as bruxas feministas, a questão não
é se houve realmente verdadeiros matriarcados, mas como a sociedade
seria diferente se "princípios femininos" fossem valorizados. Embora
o significado literal de "matriarcado" seja "governo feito pelas mães",
a sua tradução literal tem muito do mesmo significado de
"governo feito pelos pais", que é a tradução literal
de "patriarcado". Na sociedade atual, quando uma feminista fala em patriarcado
ela não quer dizer um governo benigno de homens. A sua conotação
de patriarcado é a subjugação das mulheres e a repressão
de tudo o que é feminino. As bruxas feministas freqüentemente
vêem o conceito de matriarcado como o fortalecimento das mulheres
e a valorização dos princípios femininos. Elas perguntam
a si mesmas seria sentir estar no poder e como o poder pode ser usado diferentemente
da forma como é usado no patriarcado.
As mulheres que estão dentro
de grupos exclusivamente femininos estão começando a achar
em primeira mão como o sistema feminino trabalha e como pode ser
empregado como uma alternativa ao sistema masculino. As mulheres começando
a formar comunidades igualitárias que operam muito diferentemente
daquilo que Riane Eisler chama de sistemas androcráticos em seu
livro "The Chalice and the Blade" (N.T.: O Cálice e a Espada). De
fato, os postulados feitos por Eisler em seu livro sobre sociedades igualitárias
e como elas funcionam são apoiados pelas observações
de outras escritoras feministas sobre sistemas (ideais) de mulheres. E
as bruxas feministas estão começando a utilizar estes sistemas
em seus grupos e covens.
Bruxas feministas também
utilizam o mais poderoso instrumenyo na sua busca pela reivindicação
do espírito feminino: o arquétipo. O arquétipo é
o aspecto mais potente de qualquer religião, seja o arquétipo
de Eva condenando toda a humanidade ao exílio do Paraíso
ou Diana criando os céus e levando Lúcifer para a Terra.
Através de imagens poderosas da Deusa, as mulheres são capazes
de fortalecer e mudar as suas próprias imagens. É claro,
isto alcançado através do uso do mito. As bruxas feministas
querem ir além das simples imagens da Deusa como uma mãe
benevolente e que cuida dos seus filhos, como proposto pela Arte tradicional.
As bruxas feministas abraçam todos os aspectos da Deusa. A Deusa
não é vista apenas como a criadora do universo, mas também
como destruidora, pois no fundo todos os atos de criação
são atos de destruição. Ela vem de muitas culturas.
Ela às vezes é representada como o sol (luz) "ativo", ao
invés da lua (sombra) passiva. Ela é a guerreira que protege
o Seu povo; Ela é Erishkegal bem como Inanna. Ela é Kali.
Ela é Vênus. Ela é Freya. Todas as criaturas são
Suas e a Terra é o Seu corpo. Suas energias estão ao nosso
redor na forma de rios, raios e vento, criando e destruindo constantemente.
Budapest claramente articula sobre a necessidade por uma deidade feminina
em seu The Holy Book of Women's Mysteries (N.T.: O Livro Sagrado dos Mistérios
Femininos):
... um deus masculino auto-criado
que não tem mãe é um conceito totalmente insustentável.
É, para dizer o mínimo, não sobrenatural, mas meramente
não-natural. Nada na natureza se parece tal absurdo. Tudo, mesmo
uma estrela que surge em algum lugar, toda criatura tem uma força-mãe.
Obviamente, negar a maternidade é negar as mulheres. (p.3).
Logicamente, o raciocínio
de Budapest funciona. Mas não é a lógica que leva
as mulheres a acharem-se nas antigas mitologias. Os arquétipos da
Deusa fortalecem as mulheres e as inspiram a se tornarem deusas (a trabalharem
rumo ao seu potencial total).
Entretanto, há uma tênue
linha antre arquétipo e estereótipo. Algumas bruxas feministas
sentem que a Arte tradicional colocam ênfase demais sobre as mulheres
como mães/criadoras. Elas perguntam a si mesmas até onde
isto pode se aproximar das atitudes Kirche, Kürche, Kinder da Alemanha
nazista se isto não for posto em cheque. Por isto, as bruxas feministas
tentam tirar a ênfase di aspecto do nascimento. Elas freqüentemente
reclamam os seus direitos reprodutivos na forma de criação
de idéias, grupos, organizações etc. Em uma crítica
à espiritualidade feminista, Sarah Hoagland diz que na pressa de
reivindicar o espírito "feminino", muitas feministas têm entrado
em uma noção debilitante e patriarcal. Ela diz:
A maternidade, para muitos, é
o paradigma da criatividade e do poder das mulheres, quer a maternidade
tome a forma de educar crianças (meninos, meninas ou homens) ou
salvar o mundo e ser o esteio da civilização... (mas) a verdadeira
maternidade não simplesmente uma questão de proteger e cuidar
de toda a vida... a escolha de ser mãe podem envolver a escolha
de destruir forças destrutivas... uma mãe, como outros, podem
ter que matar para sobreviver (p.96). Se a imagem benevolente da mãe
está ou não presente na comunidade feminista pagã,
como Hoagland sugere, é difícil de dizer. Apesar disso, isto
é uma crítica que toda a comunidade pagão deveria
ter em mente.
Nesta nossa época, muitos
indivíduos estão lidando com questões desta natureza.
Na nossa sociedade em mutação, com seus avanços tecnológicos
e separação da natureza, qual é o papel dos deuses?
Quais devem ser os seus aspectos? Como nós podemos mudar os arquétipos?
Uma autora que freqüentemente abordar estas questões é
Starhawk. Starhawk é uma bruxa praticante cujo coven de mulheres
e homens trabalha nos princípios da bruxaria feminista. Uma vez
que homens feministas em seu coven tendem a escolher não se identificar
com os papéis tradicionais para o homem, é mais fácil
para as mulheres do coven verem a si mesmas em papéis não
tradicionalmente aceitos para mulheres e vice-versa. Desta forma, como
autora, Starhawk pode descrever em primeira mão as mudanças
de papéis das mulheres e dos homens na Arte.
Mas muitos covens feministas não
trabalham com homens. Nem eles se importam com a polaridade masculino/feminino
ou, até mesmo, com a invocação e o culto do Deus.
Esta é uma fonte de muita irritação para a Arte tradicional.
Covens feministas geralmente trabalham de forma muito diferente dos covens
tradicionais. Geralmente não há uma Alta Sacerdotisa do coven;
as mulheres revezam o papel de liderar o coven em seus trabalhos e rituais.
Quem quer que conheça melhor e esteja mais familiarizada com um
trabalho mágico ou ritual lidera o grupo naquela ocasião.
Os covens feministas criam os seus próprios exercícios e
rituais. Eles não trabalham com um "Livro das Sombras" padrão
ou livro de segredos mágicos. Eles freqüentemente emprestam
ou inventam seus rituais, feitiços, cantos e exercícios.
Há uma grande quantidade de espontaneidade em um coven feminista.
O separatismo de covens feministas,
combinados com a rejeição de normas da arte e a imagem popular
de feministas como pessoas que odeiam os homens, criou muito atrito entre
as feministas e os tradicionais. Os anos 70 e 80 viram um aumento de cartas
e artigos reacionários em jornais e periódicos neopagãos.
Bruxas feministas foram taxadas de "sexistas" e "invejosas" (Adler, p.211).
Muitos artigos pediam menos ênfase na Deusa e no Seu culto exclusivo.
Alguns destes artigos foram escritos por mulheres. Hoje, muito desta controvérsia
já morreu. Eu acredito, entretanto, que muitos pagãos (especialmente
os mais jovens) ainda são afetados pela imagem que a mídia
criou das feministas e, até certo ponto, a aceitam. O público
em geral ainda compra a imagem que a mída criou das feministas.
Em alguns pagãos, infelizmente, ainda são crédulos
o suficiente para engolir isto.
Não importando se a Arte
tradicional quer ou não ouvir e aprender, os covens feministas estão
minando as noções patriarcais de gênero sexuais e seus
papéis. Eles estão começando nas raízes do
problema. As práticas separatistas permitem as mulheres a trabalharem
para as mulheres e com outras mulheres. Eles se focam em assuntos femininos
e cada uma tem uma parte igual no seu coven. Trabalhar em grupo que não
é hierárquico dá às mulheres a chance de experimentar
o poder-de-dentro, ao invés do poder-sobre. Elas ganham uma grande
quantidade de poder ao focarem-se na Deusa e estudando os Seus novos arquétipos.
Desta maneira, elas criam novas imagens para si mesmas e de si mesmas.
Ao trabalhar sem a polaridade masculino/feminino elas têm invalidado
décadas de ensinamentos de tão famosos hierofantes como Janet
e Stewart Farrar e Gerald Gardner. Ela têm reconciliado espírito
com matéria. Elas tem ouvido a "temerosa" intuição
e nem sempre são "lógicas".
Estas mulheres têm abandonado
os conceitos mais básicos sobre o que as mulheres "são".
Elas não têm se tornado histéricas, profundamente infelizes
ou inférteis. Elas têm rejeitado o modelo dominador da nossa
sociedade. Ainda assim, elas não tem mergulhado no caos que supostamente
reina supremo quando o sistema masculino não é usado.
Radical Faeries
"Está na moda hoje encorajar
os homens a serem sensíveis. Entretanto, este encorajamento é
parcialmente lembra a tentativa de fazer um homem aleijado a correr." Herb
Goldberg, The Hazards of Being Male.
Se as histórias e tradições
da bruxaria forem esquecidas e difamadas, então a espiritualidade
gay em todo lugar seria praticamente erradicada. Em uma tentativa de reivindicar
a sua justa posição de respeito na espiritualidade pagã,
os Radical Faeries começaram quietamente a reunir energia em 1978.
No Sudoeste, várias convenções espirituais do tema
paganismo e da contra-cultura gay eram as sementes do que é hoje
um ramo muito necessário do paganismo.
Os gays, embora a cultura atual
tente negá-lo, existiram em todas as raças, religiões
e sociedades do mundo. Uma cultura em que os gays e as lésbicas
eram honrados e respeitados eram as tribos dos nativos americanos. Uma
autora que tem nos suprido com uma grande quantidade de informação
sobre gays e seus papéis nestas tribos é Paula Gunn Allen.
Entre os seus muitos livros, The Sacred Hoop é um bom livro falando
de feminismo, cultura nativo americana e gays dentro de muitas tribos.
Allen cita a autora Judy Grahn (Another Mother Tongue: Gay Words Gay Worlds),
que, por sua vez, citou a antropóloga Sue Ellen Jacobs em um afigura
de "... 88 tribos cujos atributos culturais registrados incluem referências
à homossexualidade, com vinte destas incluindo referências
específicas ao lesbianismo" (p. 197). onze tribos negaram (para
forasteiros) qualquer prática de homossexualidade. Allen afirma
que isto "... indica a presença de lesbianismo e homossexualidade
em todas as áreas da América do Norte" (p. 197). Diferentes
tribos nativo americanas tinham muitos nomes diferentes para gays e lésbicas.
Mas a palavra que as pessoas mais conhecem e usam hoje é berdache,
significando "homem vestido de mulher" (Este termo tem sido mal utilizado
tanto para lésbicas quanto para homens gays das tribos. É
uma palavra francesa que veio de uma palavra árabe para um garoto
que fosse escravo sexual ou para um garoto de programa. Infelizmente, o
nome pegou.
Radical Faeries estão hoje
trabalhando para ganhar o status e a honra que um dia foi tida pelos berdaches.
Por causa da opressiva influência dos colonizadores cristãos
e da falta de linguagens escritas dos nativo americanos, os papéis
e vidas das lésbicas e dos gays dentro das tribos é difícil
de averiguar. Histórias de xamãs que se vestiam de mulheres
e faziam o trabalho de mulheres não são incomuns. Nem é
incomum ler sobre uma garota que abdicou do seu sexo físico, vestiu-se
como um homem, tomou o nome de um homem e fez o trabalho de um homem. Ela
freqüentemente foi considerada pela tribo como portadora de grandes
poderes. Nós só podemos assumir que quando a história
diz que uma mulher tomava uma "esposa", o seu relacionamento era conjugal
tanto quanto emocional. As pessoas que mudavam de sexo eram venerados pelos
nativo americanos. Muitos xamãs e curandeiros eram berdaches. Eles
eram as pessoas sábias da tribo: aqueles que tinham visões,
falavam com os espíritos e sabiam interpretar os sonhos. Hoje, Radical
Faeries estão tentando reivindicar o seu passado berdache.
Há poucos grupos ou organizações
que trabalham com as necessidades espirituais da comunidade gay; alguns
indivíduos na comunidade gay à vezes acham que viver a experiência
gay não é o que eles esperavam que fosse. Margot Adler entrevistou
Jody, um membro dos Radical Faeries que sentia que a cultura gay "... era
uma paródia opressiva da cultura heterossexual. Tomava parte principalmente
em bares, aonde a música é alta e as pessoas não são
encorajadas a falar ou formar ligações ou cuidar uns dos
outros" (Adler, p.341).
Muitos homens têm achado uma
irmandade de outras pessas com as mesmas necessidades espirituais em grupos
de Radical Faeries. Eles sentem orgulho em serem diferentes das pessoas
"hétero"; eles acreditam que a habilidade de mudar os papéis
sexuais pode tornar o "andar entre os mundos" mais fácil. Eles acreditam
que a sua "energia homossexual" é um ingrediente principal em trabalhos
mágicos. Os Radical Faeries não procuram se assemelhar à
comunidade hétero dizendo que a única diferença entre
eles e os heterossexuais é o que eles fazem na cama. Eles recuram
essa assimilação, pois traz perda de comunidade e inspiração.
Eles acreditam que a única coisa que eles têm em comum é
o que eles fazem na cama (Adler, p.344).
Radical Faeries também fazem
coisas muito diferentes das que a comunidade pagã tradicional faz.
Eles não estão interessados em rituais formais; a maioria
dos seus rituais é completamente espontâneo. Eles são
anarquistas públicos que utilizam o humor e o surrealismo para chocar
as pessoas. Eles freqüentemente levam a sua anarquia para os festivais
e encontros pagãos. Eles arruinaram um ritual formal em um encontro
pagão ao irem para lá gritando "Atenção! Aqui
a espontaneidade é proibida! Nós somos a polícia de
espontaneidade!" (Adler, p.346). Eles tem levado a "dança do chá"
da comunidade gay aos encontros pagãos - o que parece muito fora
de lugar em uma programação fixa. Homens (gays e héteros)
vestem roupas de mulher e dançam música popular. Embora pareça
tolo, é freqüentemente bem sucedido. Eles não controlam
as suas experi6encias ou tentam censurar as energias que as suas experiências
trazem. Eles acreditam que o controle de energia e das sensações
é um grande problema da sociedade e o caminho para remediar isto
é através da espontaneidade e da brincadeira.
Quando gays tornam-se uma comunidade
religiosa para direcionamento espiritual, eles freqüentemente não
são bem-vindos. Vergonhosamente, isto às vezes também
é verdade na comunidade pagã. Por causa desta pesada confiança
na polaridade física masculino/feminino, tradicionalistas na comunidade
pagã freqüentemente não sabem o que fazer com gays e
qual é o seu lugar no paganismo. O livro The Complete Art of Witchcraft
(1975), de Sybil Leek, inclui um capítilo sobre "O Lugar do Homossexual
na Bruxaria". Este capítulo cai no sexismo (em mais de um sentido),
na inveja e na auto-importância. Em A Witches Bible Compleat, Janet
e Stewart Farrar incluem uma pequena seção em seu livro (Part
II, p.170), dizendo-nos quão "absolutamente heterossexuais" e como,
embora eles tenham amigos gays, eles não acreditam que covens gays
possam funcionar porque a wicca foi construída sobre um "masculinidade
e feminilidade natural da mente, do corpo e do espírito." O livro
Persuasions of the Witch's Craft (1989), por T.M. Luhrmann, é um
livro ao estilo do Drawing Down the Moon, mas o seu tema está restrito
aos bruxos ingleses. O autor aponta a evidência do conservadorismo
destes bruxos em suas atittudes a respeito de considerar a permissão
de gays em seus covens. Um indivíduo iluminado (que eu tenho certeza
que teve muitas experiências em primeira-mão deste tipo!)
disse "... você não pode trabalhar magicamente com um homossexual.
Homossexuais simplesmente não criam a corrente." (p.64).
Não é apenas a atitude
e a anarquia dos Radical Faeries (ou de qualquer outro grupo gay da Arte)
que incomodam as pessoas; é a sua própria presença.
Starhawk escreve em Dreaming the Dark:
Ver homens que deliberadamente abraçam
as características associadas às mulheres (suavidade, tolice,
vontade de cuidar dos outros, vulnerabilidade) pode ser terríveis
para outros homem porque tanto da identidade masculina na cultura alienada
depende da diferença deles com as mulheres, que é definida
negativamente. Ainda assim, além do medo pode haver poder para redefinir
o self masculino positivamente como uma todo enraizado, não como
uma parte separada. (p. 142).
Esta é a chave de porque
a comunidade pagã tradicional sente-se perturbada por homens gays
em sua religião. Estes homens estão quebrando os papéis
sexuais e jogando-os no lixo. Como as mulheres em covens separatistas feministas,
eles homens têm rejeitado os papéis tradicionais designados
pela sociedade; ambos estão se movendo em território desconhecido.
O que eles irão achar lá? O que eles trarão de lá?
Em que sentido isto irá alterar a comunidade pagã ou possivelmente
a cultura popular? O que será abandonado e o que será ganho?
Estas são as perguntas que a comunidade pagã deveria estar
perguntando a si mesma. São perguntas ameaçadoras porque
muitas das respostas podem ser radicais. Se nós começarmos
a escutar estas pessoas - aqueles que estão vivendo fora de todas
as estruturas, dos papéis e das normas que nós fomos ensinados
- e começar a viver as nossas vidas em liberdade e harmonia, nós
iremos realizar um dos maiores experimentos já feitos até
hoje. Podemos viver sem hierarquia? Hierarquia é algo mais do que
uma sociedade dominadora? Como nós podemos funcionar sem papéis
sexuais?
Por cinco mil anos, os princípios
e as moralidades de um mundo androcrático têm sido o nosso
inconsciente coletivo. O nosso subconsciente se confunde quando começamos
a considerar alternativas. Aquela voz invejosa e sexista fala de dentro
de nós quando ela é ameaçada por novas escolhas. A
comunidade pagã - os revolucionários originais e os resistentes
- é um lugar primário aonde as "táticas de guerrilhas"
dos "rebeldes" feministas e gays podem formar raízes e sobreviver.
A Arte é um solo fértil para as sementes do dissentimento.
Jennifer Homan
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