Se não estiver, fique! Se
você não estiver cansado você nunca alcançara
a casa. Somente se você estiver cansado você alcançará
a casa e descansará.
Tudo no mundo cansará você.
Existe apenas uma única coisa
que não lhe deixa cansado: amor.
Porque o amor é o fim, é
a casa. Você nunca pode se cansar do amor.
Você já ouviu alguém
dizer “Oh, estou tão cansado de amar”?
Isto não se ouve porque é
impossível se cansar no amor.
Você está cansado de
explicar, convencer, confortar e agradar as pessoas.
Você pode estar cansado de
tudo o mais, certo?
Você pode estar cansado do
prazer e do divertimento!
Na verdade, prazer e divertimento
trazem junto a fatiga.
O cansaço é a sombra
do prazer. Não é verdade??
O que põe você “na
estrada” é o desejo de ter prazer,
de desfrutar, de deleitar-se.
O que traz você para casa
é estar no amor.
Você se move de uma coisa
para outra, na sua jornada,
para encontrar alegria, prazer.
Você viu a alegria, mas quando
a encontrou
você descobriu que ela estava
além, em algum outro lugar.
Então você teve de
se mexer.
E este vai e vem é tão
exaustivo; não é??!
Olhe para o todo da vida:
crianças cansadas de brincar
com certos brinquedos desejam outros novos. Cansados de novos brinquedos
elas desejam novas pessoas para brincar,
novos deleites. Elas querem algo
mais.
É como se mover de um cansaço
para outro tipo de cansaço.
Quando é aquele descanso?
Quando é aquele alívio? Quando é aquela paz, aquele
amor que é tão confortante, tão refrescante, tão
eterno e tão jubiloso?
Você pode ter repouso até
alcançar a casa. Você pode se sentar no caminho e descansar
um pouquinho, mas você não pode ficar lá para sempre.
Você pode ter uma folga. Na
estrada há uma parada, você pode descansar, levantar e se
esticar, mas você não pode ficar.
Você não pode ir para
cama lá, você não pode dormir.
Você não pode ter
tranqüilidade.
Ao fundo a mente está dizendo:
“A estrada está lá. Mexa-se”.
Então, quando adolescente
você procura por algo mais.
Que filme novo está passando?
Onde ir? Qual festa?
Aí você avança
mais. Então tenta encontrar uma boa parceira.
Você está casado.
Ok, um casal muito bom. E aí?
Você tem casa própria
e filhos.
Aqueles que são solteiros
pensam que as pessoas casadas são muito mais felizes. Aqueles que
são casados olham para as pessoas solteiras e acham que estas sim
é que estão bem melhor, mais livres.
Ou dizem que pessoas com filhos
são mais felizes.
As pessoas com filhos pensam que
estarão livres quando as crianças crescerem. Os pais procuram
alguém para cuidar das crianças e dar uma folga.
Assim segue a vida, mas tudo é
cansativo.
Você se move de um caminho
espiritual para outro,
você faz esta ou aquela prática.
Também isto pode ser exaustivo.
“Oh, eu venho meditando há
vinte anos. Estou farto de meditar agora.
Tão cansado. Pôr favor
não me diga para fazer outra meditação. Basta; chega!”
E pranayama. Esqueça! É enfadonho!
O que fazer? Aonde ir?
É o desejo que nos cansa,
o querer em nossa mente.
O desejo, o querer, cansa mais
você que o corpo.
Se você está disposto
a trabalhar quinze horas, OK.
Mas se não estiver disposto,
até quatro horas de trabalho cansarão você.
Se você se sente bem em preparar
uma festa ou arrumar as decorações de Natal você não
se cansará mesmo trabalhando muitas horas até tarde da noite.
Contudo, se você estiver trabalhando num lugar que não quer,
você vai querer ter uns quatro
ou cinco intervalos
para um cafezinho ou chá,
e se sentirá cansado.
Não faça trabalho
algum.
Apenas sente-se e pense, e você
se sentirá exausto.
A exaustão de muitas pessoas
vem do pensar, não do fazer. Percebe?
Há um lugar para descansar.
É o Divino, a entrega, o
amor.
E você não pode descansar
a não ser que você
esteja realmente cansado, saturado
de tudo.
Você cai; isto é chamado
entrega.
Isto é o que todos os mestres
iluminados disseram no passado.
Faça suas praticas sozinho
e quando você não puder continuar,
e tudo é tão cansativo,
venha e descanse.
É por isto que os lugares
de mestres iluminados eram chamados de “ashrama”. “Ashrama” significa onde
você vai e se livrar do seu cansaço.
(“A” significa “sem”; “shrama”
significa “esforços”)
Todo cansaço, tanto mental
quanto físico, desaparece.
Você não tem que lutar
para isto. Apenas senta ali na luz.
Há uma vela, uma luz, queimando
para você.
Você apenas tem de sentar
debaixo desta luz. Você é iluminado.
Você não tem de fazer
coisa alguma.
Está queimando para você,
por sua causa.
Você somente tem de se conectar.
Apenas assentar e sentir a presença.
Não há nada a fazer.
Seja parte da divindade.
Então você descobrirá
que nada pode cansar você no mundo.
Você se tornará a
fonte do amor.
Você está em casa
as coisas não podem lhe irritar.
Havia um rei, um imperador, que
conseguia tudo no mundo.
Todo o continente asiático
estava sob seu controle.
Milhares, milhões de pessoas
estavam sob seu comando.
Ele tinha toda a riqueza, poder
e prazer.
Com o estalar de dedos ele podia
ter qualquer coisa no mundo.
Mais isto não o levava para
casa; isto dava a ele mais cansaço.
Ele, então, procurou por
alguma consciência espiritual.
Foi de um lugar para outro colhendo
coisa aqui e ali.
As coisas funcionavam por um tempo,
mas não duravam.
Finalmente ele ficou exausto e
renunciou a tudo.
Isto também não funcionou.
Ser um imperador não funcionou.
Ser um renunciante não funcionou.
Um dia ele se sentou exausto junto
a uma árvore.
Ele não podia encontrar
um mestre.
Mesmo quando uma pessoa encontra
um mestre não é fácil reconhecê-lo.
Então ele finalmente caiu.
Era outono e naquele momento uma
folha caiu da árvore.
Ele estava olhando para folha
e a folha voava para o oriente
quando o vento soprava para o oriente,
para o norte quando o vento soprava
para o norte.
A folha está flutuando.
Olhando para a folha alguma coisa
estalou em sua cabeça.
A “condição de fazedor”,
o desejo simplesmente saiu dele.
Bem naquele instante ele se deu
conta de que o momento é eterno.
Este exato momento é eterno.
E ele voltou para casa.
Leva a vida desta forma,
concordando com o que o Divino
providenciou para você,
flutuando com o momento sem pesares
do passado ou antecipação do futuro, mas sendo como uma folha
seca.
Diz-se que ele alcançou a
iluminação.