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por: Nora Baglioni
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"MITO (do grego mythos, fábula)
- história fabulosa sobre um herói ou deus, constituída
de forma mais ou menos estruturada que condensa as crenças de um
povo." Com base neste conceito, a astróloga argentina Nora Baglioni
traça o perfil de Eva Perón, a mulher mais mitificada da
história latino-americana no século XX.
Eva
Peron
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Durante o mundial de futebol disputado
nos Estados Unidos, estava realizando um curso sobre sonhos e mitos junguianos
e minha atenção era atraída pelas frases que se ouviam
sobre Diego Maradona. Era impossível fugir do tema, especialmente
depois da eliminação da equipe argentina: "Diego é
um sentimento", "É de todos" diziam. Apesar da prova positiva de
doping e posterior eliminação da equipe, tudo foi perdoado
e, quando o jogador chorava e dizia "me cortaram as pernas...", fosse o
que fosse o que queria dizer com isto, o coletivo chorava com ele, por
ele, e a eliminação passou a ser secundária. Minha
reflexão foi: por que algumas pessoas de grande valor caem em desgraça
por muito menos do que isso?
Maradona
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O que faz com que um simples mortal
se converta no sentimento e na projeção de milhões
de pessoas? O coletivo deixa de pensar, toda objetividade se perde, os
fatos já não são os que realmente tiveram lugar, o
coletivo se torna arbitrário.
Maradona
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Este fato se reflete no tema natal
da pessoa eleita? Ou o fator causal é a química entre a carta
natal da pessoa e a do lugar onde se transforma em mito? O argentino por
antonomásia, aquele que "canta cada dia melhor", "o sorriso de bronze",
é Carlos Gardel, nascido Charles Gardès, originário
de Toulouse, França; o arquétipo do francês, Ives Montand,
havia nascido em Pistóia, na Toscana italiana. Ou seja, o mito surge
como resultado da interação do ser com um determinado país
e um ambiente cultural específico.
Carlos
Gardel, nascido Charles Gardès
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Parece evidente que cada país
cria seus próprios mitos em resposta a suas necessidades mais profundas
e, portanto, será na sinastria entre ambos, e não apenas
na carta individual, que o potencial se tornará real. É como
a teoria aristotélica, potência que se transforma em ato.
Ives
Montand
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Mito é uma palavra que deriva
do grego mythos, fábula. A pessoa mitificada expressa o inconsciente
coletivo. O mito está sempre unido à destruição?
Ou pode salvar-se?
Rodolfo
Valentino
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Rodolfo Valentino (outro exemplo
de mito relocado, o que daria lugar a um interessante artigo vendo a sinastria
com o país natal e o novo país), o Che Guevara (também
trasladado, transformado num mito cubano e em troca rejeitado, negado na
Argentina, reconhecido há muito pouco tempo neste país, porém
sem alcançar nenhuma altura de mito), Edith Piaf, Marilyn Monroe,
Eva Perón, todos eles em sua categoria fabulosa tiveram finais dramáticos
ou precoces - os eleitos morrem jovens?
Che
Guevara
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Pergunto-me se não guardam
relação com Hermes-Mercúrio, na realidade mensageiros
dos deuses, viajantes, mutantes, mediadores... em que medida a projeção
coletiva não é o que os leva a ese final?
Edith
Piaf
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Segundo as teorias junguianas, o
coletivo exerce uma pressão psíquica e energética
intolerável sobre a pessoa escolhida, sendo então quebrada
sua integridade psicológica e física.
Marilyn
Monroe
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Escolhi Eva Perón como exemplo
de mito vivo na psique coletiva dos argentinos, e isso sem qualquer intenção
política.
Madona
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Gostaria de acrescentar que este
artigo foi escrito meses antes de que sua figura se tornasse comercial
e pública em função dos filmes que a retrataram, seja
o estrelado por Madonna seja o outro, argentino, e que o editor da revista
argentina de Astrologia não se animou a publicar o artigo porque
pensou que podia gerar controvérsias.
A idéia era que a carta de
Eva Perón e a do país deviam ressaltar sua qualidade de mito.
  
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