Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick
.
A Umbanda no Brasil
.
.                                                                                                                                       Montagem: Equipe Imagick
 
 
A religiosidade em Terras Brasileiras 
e culto afro-brasileiros
.
por: William Ronan Santos
.
Existe uma grande mescla no Brasil, seja de raças e credos ou no universo de culturas regionais e seus  dialetos, legado de um pais continental, que gera uma certa confusão se olharmos o conjunto e tomarmos a forma como a natureza real e original.

Recentemente em entrevista ao noticiário de uma grande emissora de Rádio  um doutorando, que acabara de defender tese na UNIFEJ, versando sobre cultos "Afro-brasileiros" - não é o primeiro caso do tema -, dizia que : "No Brasil só existe uma "Religião" Afro-brasileira, todo o resto saindo dela, tevi a certeza deste fato numa pesquisa de campo visitando vários terreiros e tendas do Rio de Janeiro. 
A única religião antiga e original do pais é o dito "Candomblé" e todo o resto, como a Umbanda, são seitas saídas de seus terreiro, copiando seus métodos e deuses".

Este é um belo exemplo de como no Brasil a sua cultura e origens são tão desconhecidas pelos próprios brasileiros e... até deturpadas.

Em Teologia,  didaticamente, divide-se os cultos em duas grandes categorias: a religião e a seita. Qual a diferença?
Religião é um culto/doutrina com seus próprios fundamentos, divindades e escrituras sagradas. 
Seita é todo culto, doutrina que cresce ou surge na "cola" de uma religião, fazendo uso de suas divindades, fundamentos ou escrituras sagradas de forma diferente, ou seja, não tem nada de seu. 
Por. ex. da "grande" religião Católica saiu primeiro o "protestantismo" ou igrejas da reforma e na "cola" desta surge o neo-pentecostalismo.

Hoje  conceituados Filósofos, estudiosos e pesquisadores, nos campos da Teologia, Cosmologia e Antropologia tem uma nova definição para estes termos: "Religião é apenas e tão somente uma seita que deu certo!", já que de uma maneira geral todas as grandes Religiões mundiais de hoje tem em seus corpo de doutrina, em sua estrutura fundamentos ou atributos que vem de religiões anteriores.

Novamente, a "grande religião" Católica tem em seus fundamentos um "livro", escritura sagrada que lhe deu origem.  Metade não era seu, o "velho testamento" que é de origem Judaica, a Torá. E a outra metade, as escrituras gregas do "novo testamento", da antiga e perseguida seita Cristâ, que tinha muito da estrutura em muito tirada da religião romana antiga: o culto ao divino ressuscitado - do mito de Osíris, egípcio; o seu sumo pontífice é sepultado em sarcófagos acima da terra como os egípcios, mesmos assim, com tudo junto fez um novo corpo de doutrina que cresceu mundialmente, em sua campanha de divulgação - as guerras das cruzadas; o mesmo ocorreu com o Islã em que metade de sua escritura sagrada é praticamente a Torá e a outra metade os ensinamentos de seu Profeta, também antes do imenso crescimento, que é hoje, viveu muitos conflitos armados.

Com este ponto esclarecido voltemos a nossa atenção à tese citada no começo deste artigo.

O Culto de Nação - nome oficial no Brasil do chamado Candomblé - é originado da migração forçada do negro de terras africanas, vindo de várias nações com linguás ou dialetos e práticas religiosas diferentes, mas em essência semelhantes; após muitas dificuldades conseguiram - com a "benção" de alguns senhores de engenho, com claros interesses nos supostos beneficio que este culto poderia lhes dar - praticar sua fê e em certos casos praticar sua ciência de sabedoria - xamânica -, os que tinham realmente esta função, não confundir com sacerdote que poderia ser as duas coisas mas que na maioria das vezes não era. 

Com a dificuldade de varias práticas diferentes e a invocação de divindades cultuadas em linguás diversas, foi feito o primeiro sincretismo em nossas terras, criando um novo culto com este amalgama que veio a ser chamado de Candomblé com predominância - até no idioma - Nago por parte dos Bantos e Angola/Congo por parte dos Sudaneses.

Este novo culto criado em nossa terra era, de forma simplificada, da seguinte forma: 
O negro já chegando aqui Monoteísta, pois que acreditava em uma Divindade Maior Criadora chamada Olorum, entre os Nagô e Zamby ou Zambyapongi entre os Angolenses, e Obatalá o filho de Olorum - pelos Nagô, reverenciavam outras divindades - auxiliares ao criador - representantes das forças da Natureza.
Faziam uso do mediunismo, "recebendo" só estas divindades, os Orixás - que nunca encarnaram na terra, apesar de sua mitologia - as Itans de Ifás - contarem suas vidas, fazendo-as "terrenas" como na mitologia grega - e nunca recebendo a desencarnados, os eguns.
Faziam, também, oferendas a estas divindades com alimentos e sacrifícios animais.
Como confirmam os estudos de inúmeros pesquisadores como o saudoso Nina Rodrigues, que viveu muito tempo entre eles.
Este período vai de de aproximadamente 1537 até 1888.

Neste intervalo, por volta 1547, surgiu um outro sincretismo, os negros que aqui chegaram constataram que o seu culto e crenças tinha em muito semelhanças com o dos vermelhos destas terras, o nosso índio, fizeram então este entrelaçamento com o que restara - já em muito modificado - do antigo culto da Yurema, formando o Omoloco ou o chamado Candomblé de Caboclo, onde já havia a manifestação mediúnica de desencarnados - eguns o que é totalmente contra os verdadeiros fundamentos do Candomblé - Sacerdotes/Babalawo dos negros, chamados Babaegum e índios, muitas vezes Chefes/Morubixabas e Curandeiros/Nhanderus e apesar da invocação dos Orixás imperava mais a raiz ameríndia.

Posteriormente a esta forma sincrética chamada Omoloco foi primeiro feito o sincretismo com os santos Católicos e em seguida com alguns rudimentos da grande doutrina dos espíritos - o Espiritismo ou o chamado Kardecismo - vindo da cultura do branco europeu.

Mais ao final deste período tivemos um novo sincretismo, a prática do culto misto afro/ameríndio que já se havia fundido com rudimentos do Espiritismo e com os santos Católicos, ao qual foram acrescentadas as prática de feitiçaria, trazidas pelo branco colonizador da Europa, surgindo o chamado Catimbo - este termo surgido porque na fusão afro-ameríndia do Omoloco já se usa as práticas propiciatórias de defumação do índio chamada de tatatimbo e por perda da prática original formou se a corruptela catimbo. Nele, das praticas de feitiçaria europeia e algumas dos índios, deram o nome - os brancos idealizadores - de "adjunto da jurema". Neste culto manifestavam-se desencanados africanos, ameríndios, europeus na forma dos mestres e mestras pela influência do lado da feitiçaria e posteriormente entidades de desencarnados, já brasileiros, de varias regiões do pais.

Em 1888 com as mudanças sociais advindas, e de grande repercussão, foi o momento propício, no astral, para formação de uma nova expressão religiosa que resgataria a nossa cultura e conhecimentos ancestrais, de fortes raízes ameríndias. Preparava se o terreno para o retorno as nossas raízes.

Em 1908 funda-se, oficialmente, no plano material, em solo brasileiro, pela manifestação mediúnica do Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas, a Umbanda, que já de início vem com fundamentos próprios ensinados pelo próprio Caboclo das 7 Encruzilhadas, em seu Templo, a Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade no Rio de Janeiro.

Este culto tem como base a manifestação mediúnica de desencarnados - já diferindo aí do Candomblé - velhos sábios, muitos negros africanos, o que fez com que o povo os chama-se de pretos velhos - mais acertadamente seria pai velho - de sábios fortes e dinâmicos na presença dos índios, chamados de caboclos e de puros, os curumins, as crianças, posteriormente a manifestação dos guardiões - exus.

Com isso já se vê claramente a grande diferença entre o Culto de Nação, o chamado Candomblé e a Umbanda.

Lá pela década de 20 houve uma migração de alguns Ilês de Candomblé para o Sistema de Umbanda - sem conhecê-lo ou preparar-se nele previamente - sem deixar o seu culto aos Orixás, dia em que o Orixá vem em terra dança e vai embora, já que Orixá não da consulta, passe ou orientação, todo e qualquer problema é visto  pelo Babalawo no erindilogum - jogo de búzios - para ver o problema e o "trabalho" que devera ser feito. 

Num perfeito ato de marketing religioso, os Ilês que achavam que estavam perdendo freqüentadores - claro muitos se mantiveram e se mantem, até hoje, fieis ao seu culto aos Orixás - migraram para a Umbanda, fazendo um culto mesclado com fundamentos de Candomblé - os sacrifícios animais que não fazem parte da Umbanda. Já que não conheciam outros - foram do lado de fora e lá trocaram a "plaquinha" da porta que dizia Ilê de Candomblé "fulano" e colocaram Tenda de Umbanda "fulano", em total contradição com seu Culto Original. 

Ao fazer uma prática mesclada, hibrida, passando a dizer que seu "método" era de Umbanda e o que é pior ensinando-o como se o fosse, deu origem a muitos Templos com cultos e fundamentos mesclados dizendo se ser de Umbanda. Isto é fácil de verificar,  ainda mais no Rio onde foi fundado o primeiro Templo de Umbanda, e pesquisando-se com mais calma os Terreiros  de onde saíram, com quem se "fizeram" - como se diz no meio - e chegaríamos a origem nos Ilê que se afastaram de seu culto original.

Quanto aos fundamentos não se faz sacrifícios animais na Verdadeira Umbanda, que tem como princípios amor, fé e caridade,  respeito e reverencia a Natureza - dai não poluí-la, não maltratar os animais -, (segue-se a regra de "ouro" - não faça aos outros o que não queres para si mesmo) - prática-se a mediunidade com manifestação de entidades que dão consultas e passes o que não existe no Candomblé verdadeiro, é monoteísta  (ou seja acredita em um Deus único/Criador), reverencia seu representante, chefe de uma hierarquia de divindades auxiliares em numero de 7, por isso as 7 linhas de Umbanda que tem seus complementos femininos no sentido de positivo /negativo, através de ancestrais desencarnados e mais experientes/evoluídos. Usam uma grafia sagrada de sinais em seu trabalhos - a chamada escrita de pemba - magistidos e muito de frutos, que contém prana, em seu trabalhos ou oferendas.

As 7 divindades auxiliares, na Umbanda, são seres universais, coordenadores de certas funções e forças/energias no plano espiritual e material, e como tem funções semelhantes aos Orixás, usou-se os mesmos nomes de 5 deles apenas. 

Como vimos antes, os africanos que aqui chegam encontraram muitas semelhanças entre suas divindade e alguns fundamentos (p. ex. um termo antigo no Nheengatu - linguá fonte do tronco Tupy e dos dialetos das varias etnias menores - que se refere a divindade era ARAXA, muito parecido, não é? Ainda existe uma cidade brasileira com este nome).

Na linguá dos Quitchuas dos Maias o termo para divindade é AH RAXA! Coincidência? Será mesmo? Sabemos que na região viviam povos de raça vermelha - como nossos índios.

O nosso índio sempre teve uma religião mistica, que em muito se assemelha à do Egito. Havia um saber ancestral - xamânico - por parte dos Sacerdotes/ Nhanderus e Payes, cultuando a força maior criadora através de sua representação no mundo aparente, tal qual como no Egito, pela figura do Sol/Guaracy, e reverenciando divindades auxiliares e heróis ancestrais. 
Havia a pratica ou culto do Tembaitá, ligado ao Pai Céu, e  o do Muyrakitan ou da Yurema, ligada a Mãe Terra, - não é o adjunto ou mesa da Jurema nos sincretismos   com europeu coloniozador.
Nhanderu era um Xamã/Sacerdote e Paye - o Paje - era um xamã superior, digamos, de grau maior. No caso dos Nhanderus havia uma prática com ervas queimadas em brasas - defumação propriamente dita chamada tatatimbo = fumaça branca de onde saiu a corruptela catimbo - para principiar os rituais preparando o ambiente e por vezes para afastar Anhanga - espirito negativo, mau e inconveniente. Depois vinham os cantos e as danças, mais as maracás – maracas - que levavam ao transe e invocar Ra-anga espíritos de luz -  veja a palavra Ra no início que significa aflorar ou despertar da Luz, tal qual no Egito: o despertar do luminoso disco solar - o Deus Rá. Fumavam o tabaco, e nos seu cachimbos e também faziam o tatatimbo.
Com seus Cantos Sagrados, os Poraheis ou as práticas dos caminhos misticos da floresta e do céu, guiados pelo pássaro primevo - Maino.

Vemos que as práticas xamânicas originais em nossa terra até hoje influenciam nosso sistema "Religioso Brasileiro", tanto no sincretismo de origem afro que gerou o Candomblé,  como posteriormente com as práticas ameríndias do Omoloco. Esta influência chega até a Umbanda em nossos dias, cultos com tendências Misticas, mediúnicas, transe, práticas magicas, culto ou reverencia a Natureza e por tudo que podemos dizer que é a tendência da Aura de nossa Terra, da Egregora da Terra do Cruzeiro do Sul, pacífica por natureza, acolhedora, ecumênica mesmo, onde recebemos todos os povos e suas culturas com suas varias religiões se manifestando ao mesmo tempo em uma mesma região.
Estas religiões surgidas aqui, brasileiras mesmo, tem toda uma tendência a nossa ancestralidade e o acesso para todos a uma comunhão com a divindade.
Legado que aos poucos retorna de nossa cultura ancestral. 

E assim descobrimos que ao conhecermos um pouco mais de nossas raízes nos aproximamos,  também, cada vez mais do verdadeiro caminho da Tradição, por via diferente, e ainda nem falamos da relação entre a raça brasileira original, o ameríndio, e os Atlantas como começamos a ver com os Egípcios.

Mas isto é uma história que fica para outra vez...
 


Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick
(0xx) (11) 3813.4123
 
 
 


imagick@imagick.org.br
 
 
 


Página desenvolvida por:
Imagick Edições e Comunicações Visuais