. O Xamanismo e o Brasil
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por: William Ronan
Santos
Quando se fala em Xamanismo automaticamente
imagina-se um índio - pele vermelha - Americano. Bem... para começar
o termo xamã vem de saman/shaman de um dialeto siberiano e com ele
se denomina estas formas do saber e práticas dos nativos de todos
os povos antigos, independente da região ou do nome que usavam em
suas próprias linguas.
. Xamanismo é algo universal pois encontramos suas raízes em todas as partes, é um saber ancestral que vem de um passado longinquo, constatou-se povos com práticas e até instrumentos ritualísticos semelhantes. É... já era globalizado. Desta maneira, como vemos, não se restringe somente ao nativo norte americano. Em nossas terras tupiniquins temos índios, e americanos também - somos sul-americanos . Há uma total falta de conhecimento, por nós brasileiros, de nossa própria historia, raízes e cultura. A Tradição diz que
o berço das raças foi: O negro nas terras africanas, muitas
vezes chamado de raça etíope, o branco nas terras ao norte
da Europa - o caucasiano, o amarelo na asia - Turânios e o vermelho
nas Américas - o nosso índio.
A raça Ameríndia -
os pele vermelhas se espalhavam pelas Américas em uma outrora grande
grande civilização.
O xamã ou curandeiro é chamado de nhanderu = nosso pai, no sentido de pai espiritual, podendo ser também karai ou Paye, o Paje - na linguá de origem do tronco Tupi , o nhe'engatu, nhen = palavra e gatu/catu = genuína, a palavra verdadeira - diferem, digamos, em grau, sendo o Paye o grau maior. A cosmogonia na tradição
Tupy, nanba ou guarani, mantém uma certa semelhança apesar
de não serem idênticas, como a cosmogonia e teologia egípcia
diferia um pouco de localidade para localidade, mas a essência era
sempre a mesma.
O Deus Criador é Nhamandu
= a Grande Escuta, de som, de vibrações. Nhamandu criou através
de seu canto. De sua melodia surgiu cada coisa criada através da
Linguagem Sagradada. Assim, ele fez surgir as 4 forças primordiais
da sua vara/cetro postando as 4 divindades que governam as direções:
O fato de se achar que Tupam é seu Deus maior é que o Pai Tupam é um ancestral importante, mais próximo a nos, organizador, entre as divindas auxiliares e seus heróis, como Zeus ou Júpiter - com quem corresponde em funções e atributos pois todos eles são senhores dos raios - Rei das divindades em suas respectivas moradas celestes. Fica claro que a harmonia da criação, das 4 direções, é reverenciada e o porque de terem como Símbolo Sagrado a Coruça, Cruz - esta a de braços iguais, nome que dão também ao seu símbolo Celeste mais Sagrado, Coruça... o Cruzeiro do Sul. Aqui lembramo que existe na cultura Tupy a crença - milenar - em um messias chamado Yurupari que foi sacrificado na curuça e é lamentado por chiuncy - a mãe ou virgem que chora, é um mito muito conhecido como o de Ausar - Osiris - pranteado por Auset, a "virgem" - Isis e o Jesus crucificado e pranteado por sua mãe Maria. Como é - tal qual no Egito
- um povo místico por natureza, acreditam que tudo e todos são
interligados e com correspondências entre coisas da matéria
e coisas espirituais.
Seus rituais são na grande
maioria regidos pelos movimentos celestes, dos quais, seus sábios,
fazem motivo de contemplação e meditação.
Sua memória é prodigiosa, já que não as escrevem, estas estória que carregam sua Tradição - como em outros povos em face à Iniciação - são passadas oralmente, principalmente aqueles passados de um Nhanderu idoso para outro, seu sucessor. Entre povos xamânicos é quase universal a presença da Águia, para arrebatá-lo as alturas espirituais, o nosso índio reverência muito todas as aves de nossa fauna e em especial o Maino, o Beija-flor, o Pássaro Primordial/Arquétipo, o Guia dos Caminhos Espirituais. Sua integração com
a Terra, esta mesma Mãe Terra em que vive, compartilha e cuida,
é tamanha, consciente que ele é desta Terra Viva e de que
dela éfaz parte. Como diz um Nhanderu: "Sem Terra não há
onde manifestar a vida, sem Terra não há Índio".
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