| Um erudito foi viver em um templo. Julgando-se brilhante,
freqüentemente debatia com o Mestre Ch'an Chao-chou.
Um dia, ele perguntou ao Mestre: "O Buda era muito compassivo.
Quando ele estava ajudando os seres sencientes , ele sempre tentava atender
aos seus desejos. Qualquer coisa que desejassem , Buda tentaria satisfazê-los.
É correto?"
O erudito continuou: "Eu desejo muitíssimo ter a bengala que está em sua mão, mas não sei se meu desejo poderia ser atendido". O Mestre Chao-chou recusou-lhe dizendo: "Um cavalheiro não toma pela força o que eles querem. Você entende?" O erudito contestou: "Eu não sou cavalheiro". "Nem eu sou um Buda!" gritou Chao-chou.
Em outra ocasião, quando o erudito estava sentado em meditação, Chao-chou passou por perto. O erudito olhou para o Mestre, mas não lhe deu atenção. Chao-chou o repreendeu dizendo: "Jovem, por que você não se levanta quando vê alguém mais velho?" Ele replicou: "Sentado é o mesmo que estar em pé!" O Mestre Chao-chou esbofeteou-o. Enfurecido, o jovem erudito exigiu uma explicação. O Mestre Chao-chou disse gentilmente: "Esbofeteá-lo
é o mesmo que não esbofeteá-lo".
O jovem era um intelectual, enquanto o Mestre Ch'an era alguém que já tinha realizado a Verdade. Um intelectual não pode ser comparado com alguém que já tenha atingido a realização — especialmente com alguém como Mestre Chao-chou, cujo Ch'an era vivaz, rápido, puro, e meticuloso. Chao-chou não era tão apegado ao seu
cajado que se recusasse a dá-lo. Simplesmente não gostou
da maneira como lhe foi pedido pelo erudito.
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